Page 7 - JM N.º 78
P. 7
Cláudia Brito Marques | claudiamarques@jornalmedico.pt NACIONAL | Jornal Médico
O secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos,
Jorge Roque da Cunha, acusa a tutela de “faltar
à sua palavra” e afirma, por isso: “Estamos a ser
empurrados para uma nova greve!”
Os médicos alegam
que “continua
a crescer a revolta
entre a classe”
e que “as promessas
ministeriais não
têm passado
a atos concretos”
Das conclusões do Fórum Médico resultou este só dá resposta a cerca de 60% da po-
ainda o incentivo para que as organiza- pulação portuguesa.
ções médicas procedam à denúncia públi- “Nós temos um SNS que está em decadência
ca das “deficiências, insuficiências e injus- e temos de o recuperar”, afirmou, apontan-
tiças” no sistema de saúde, tendo ficado já do para o que considera ser uma grave falta
agendada nova reunião para setembro. de médicos nas unidades públicas de saúde.
Para além da Ordem e dos sindicatos mé- Para Miguel Guimarães, está mais do que
dicos, o Fórum Médico conta ainda com na altura de os governantes “perceberem
outras organizações profissionais. Na re- o que é importante para as pessoas” e en-
união e conferência de imprensa do pas- cararem a saúde como uma prioridade,
O presidente da Federação Nacional dos Médicos, sado dia 1, marcaram presença ao lado área para a qual o bastonário reclama um
Mário Jorge Neves, considera que a próxima reunião do bastonário e dos dirigentes do SIM e “orçamento maior”.
com o Ministério da Saúde, agendada para 11 de agosto, da FNAM os presidentes da Associação “Custa-me ver um Governo extraordina-
será um encontro “de tudo ou nada” Portuguesa de Medicina Geral e Familiar riamente preocupado com a EMA e pouco
(APMGF), Rui Nogueira, da Associação preocupado com as pessoas. Não podemos
Nacional de Médicos de Saúde Pública continuar a ter este tipo de comportamento
(ANMSP), Ricardo Mexia, e da Associa- em Portugal”, afirmou.
tal das medidas”. Ainda que, alega a FNAM, ção Nacional de Estudantes de Medicina Mário Jorge Neves sublinhou que os mé-
“nunca nos tenham sido apresentados valo- (ANEM), Rita Ramalho. dicos continuarão a defender a dignidade
res/dados concretos desse impacto”. da profissão. “É uma profissão insubstituí-
Em causa está a redução da lista de utentes GOVERNO “PREOCUPA-SE MAIS vel. Os governantes passam e os médicos
por médico de família, que atualmente se COM A EMA DO QUE COM AS PESSOAS” ficam!”, sublinhou o dirigente da FNAM,
situa nos 1.900 utentes por médico, enquan- defendendo: “não podemos permitir que o
to os sindicatos pretendem que regresse a Aos jornalistas presentes, Miguel Guima- poder político continue a tentar enxovalhar
valores próximos dos 1.500. A limitação do rães lamentou, ainda, que o Governo esteja esta classe profissional, com a reedição dos
trabalho suplementar a 150 horas anuais, “extraordinariamente preocupado” com a mesmos procedimentos políticos e negociais
em vez das atuais 200 e a imposição de um Agência Europeia do Medicamento (EMA) e desde a greve de maio”.
limite de 12 horas de trabalho em serviço de “pouco preocupado com as pessoas”, fazen- Assim sendo, espera-se um “verão quente”
urgência são outras das matérias essenciais do referência a um SNS “em decadência”. nas relações entre os médicos e o Ministério
para os sindicatos e que já estiveram na ori- O bastonário apontou várias insuficiên- da Saúde, com a possibilidade de uma nova
gem da greve de maio. cias ao SNS, considerando que atualmente paralisação à espreita.
7
Julho 2017

