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Jornal Médico   |  NACIONAL




         A PROPÓSITO DA POLÉMICA COM GENTIL MARTINS
         Bastonário da OM



         apela ao bom senso



         dos médicos em


         intervenções públicas









         Numa entrevista recente ao jornal Expresso, o cirurgião
         e ex-bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Gentil Martins, afirmou
         considerar a homossexualidade uma “anomalia” e apelidou Cristiano
         Ronaldo de “estupor moral”, a propósito do recurso do jogador
         português a uma gestante de substituição. A celeuma instalou-se
         de imediato e duas queixas chegaram à OM. A propósito deste
         caso – especialmente polémico, por envolver figuras de grande
         mediatismo – o Jornal Médico foi apurar, junto do atual bastonário,
         Miguel Guimarães, quais as responsabilidades dos médicos em
         intervenções públicas e que consequências podem vir a enfrentar
         caso as suas declarações signifiquem um risco para a saúde pública
         ou um desrespeito do código deontológico da profissão.



         “As opiniões veiculadas pelo Prof. Gen-  tins”. Quanto à homossexualidade, acres-
         til Martins [em  entrevista ao jornal  Ex-  centou, “já foi considerada  uma  anomalia
         presso]  não  refletem  aqueles  que  são  os   no passado, hoje é encarada como uma op-
         valores da Ordem dos Médicos (OM). No   ção” e “pessoalmente não me revejo – nem a
         entanto,  [o  Prof.  Gentil  Martins]  fez  es-  Ordem se revê – em qualquer afirmação de
         tas declarações no âmbito daquilo que é   cariz discriminatório”.                   Miguel Guimarães adverte: “Se um médico,
         a sua liberdade de expressão… São opi-                                              através das suas palavras ou ações, colocar
         niões, que respeitamos, mas com as quais   “CASO ANTIVACINAÇÃO”: QUANDO             em causa a saúde pública, a Ordem tem
         não quer dizer que concordemos”.        A SAÚDE PÚBLICA ESTÁ EM RISCO               a responsabilidade  de intervir”
         Quem o afirma é o bastonário da OM, Miguel
         Guimarães, que reconhece que as questões   Com contornos mais graves do que o polé-
         em causa – homossexualidade e gestação de   mico e mediático “caso Gentil Martins”, é
         substituição – são, de certa forma, polémicas   o caso de “dois médicos que se manifesta-  que lhe apetecer – tem que ser responsá-
         (ver caixa), mas não mereceriam qualquer   ram publicamente antivacinas” em plena  vel por aquilo que diz em intervenções
         intervenção da  Ordem, não tivessem duas   crise do surto de sarampo, em abril deste   públicas, de acordo com o que o código
         médicas apresentado queixas a propósito   ano, adiantou Miguel Guimarães à nossa  deontológico da profissão lhe exige”. Mi-
         das mesmas. Assim sendo, cabe ao Conselho   redação.  “Quando  temos  médicos  a  pro-  guel Guimarães adverte: “Se um médico,
         Disciplinar da OM – importa esclarecer que   moverem ações que colocam em risco a   através das suas palavras ou ações, colo-
         o bastonário já foi, em tempos, o presidente   saúde pública, a Ordem tem que intervir  car em causa a saúde pública, a Ordem
         deste órgão; hoje já não o é, sendo este órgão    e fui eu mesmo que enviei para o Conse-  tem  responsabilidade  de  intervir”.  E  vai
         totalmente independente – analisar as quei-  lho Disciplinar estes dois casos a que me  mais longe: “A Ordem e não só… Antes da
         xas e agir em conformidade. No entender de   referi,  de  dois  médicos  que  afirmaram  OM, o próprio Ministro da Saúde deveria
         Miguel Guimarães, “pode nem vir a existir   publicamente que a vacinação pode ma-  intervir. E não o fez… Quem é responsável
         inquérito/processo disciplinar”.        tar ou causar efeitos adversos muito gra-  pela saúde em Portugal tem que intervir
         Questionado pelo Jornal Médico, o bastoná-  ves. Estamos a falar de algo para o qual   perante situações deste tipo!”.
         rio da OM revelou ter conversado com o “co-  há inúmera e sólida evidência científica a  Ao nosso jornal o bastonário da OM adian-
         lega e amigo” Gentil Martins logo na segun-  suportar os seus benefícios. As possíveis   tou que ambos os casos de “médicos an-
         da-feira seguinte à publicação da polémica   complicações da vacinação, comparativa-  tivacinas”  são  referentes  a  profissionais
         entrevista. Admite que a forma como o ci-  mente àquilo que é a sua eficácia, são irre-  pertencentes  à  Seção  Regional  do  Sul  da
         rurgião se referiu a Cristiano Ronaldo “não   levantes”, explicou o bastonário.   OM, estando os processos a decorrer den-
         foi a mais correta”, embora o termo utiliza-  De acordo com o responsável, “um médico  tro  dos  trâmites  normais  no  âmbito  do
         do “fosse algo banal na época de Gentil Mar-  – ainda que tenha a liberdade de dizer o  respetivo Conselho Disciplinar Regional.


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