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Jornal Médico | ESPECIAL – EUROPEAN VENOUS FORUM
A doença venosa crónica
e o estudo REVEAL-CEAP
ser tidas em conta como potenciais vetores Não há produção
de agravamento e, também, o impacto da re- de conhecimento e há
lação com o tabagismo.
A verdade é que a doença venosa pode apre- condicionamento da
sentar-se de múltiplas formas e estádios de efetividade do tratamento
evolução, enquanto doença crónica, haven-
do necessidade de padronizar a sua sistema- dos doentes, sem a
tização e classificação. realização de ensaios
A classificação chamada de CEAP (C de clíni-
ca, E de etiologia, A de anatomia e P de “phy- e estudos clínicos
siology”) é a mais utilizada internacional-
mente e, na prática, baseia-se na observação
e exame físico. É por isso uma ferramenta O estudo REVEAL-CEAP será desenvolvido
comunicacional muito importante entre por profissionais de saúde – enfermeiros e
médicos, na referenciação dos doentes e até médicos especialistas em Medicina Geral e
na investigação clínica e observacional. Familiar – e pressupõe o preenchimento de
O REVEAL-CEAP é o acrónimo de um estudo um questionário totalmente anonimizado,
de prevalência e caracterização epidemioló- a partir de amostras aleatórias sequenciais
gica da DVC, de acordo com a classificação reunidas com base em indivíduos que se en-
RUI CERNADAS CEAP, no âmbito dos cuidados de saúde pri- contrem nas salas de espera das unidades
Especialista de Medicina mários (CSP), coordenado a nível nacional funcionais dos agrupamentos de centros de
Geral e Familiar (Continente, Açores e Madeira) pelo Prof. saúde, para consultas programadas.
Doutor Armando Mansilha e que pretende A participação neste estudo não traduz qual-
envolver médicos e utentes. O que se procu- quer prejuízo para os participantes, nem en-
ra é reunir informação de qualidade sobre a volve custos ou deslocações adicionais para os
caracterização e dimensão da DVC em Por- utentes, nem para o Serviço Nacional de Saúde.
O envelhecimento populacional associado à tugal, designadamente, em matéria de inci- Por outro lado, estamos certos que, de uma
falta de hábitos saudáveis de vida, incluin- dência e prevalência, impacto económico e forma geral não há produção de conheci-
do o controlo do peso e a prática regular de de qualidade de vida dos doentes. mento e há condicionamento da efetividade
exercício físico, as múltiplas patologias no Com a concretização deste estudo, para do tratamento dos doentes, sem a realização
mesmo indivíduo e os fatores socioprofissio- além de aumentar a informação disponível de ensaios e estudos clínicos.
nais, contam-se entre as determinantes na em Portugal, aposta-se claramente na for- Depositamos portanto, e por isto mesmo, as
mudança de paradigma nas necessidades de mação médica e na promoção do processo maiores expectativas numa ampla adesão
cuidados de saúde em Portugal. assistencial e da relação médico-doente no ao estudo REVEAL-CEAP e na produção dos
Para muitos doentes, a doença venosa cróni- que respeita à DVC. seus resultados!
ca (DVC) significa edema, dor, desconforto,
perda de qualidade de vida, alterações em
termos de mobilidade e assiduidade. A fre-
quência desta doença aumenta com a idade.
Na Europa, nos adultos com idade entre os
30 e os 70 anos, estima-se que entre cinco a
15% apresentem DVC.
O aparecimento de feridas crónicas – como
as úlceras de perna – constitui um problema
de saúde pública e terá em Portugal uma pre-
valência semelhante à de outros países euro-
peus, ou seja, poderá afetar cerca de 1% da
população adulta e aproximadamente 3,5%
dos indivíduos com idade superior a 65 anos.
Sabemos ainda que a história familiar e o
género (superior nas mulheres) são fatores
de risco para o desenvolvimento da doen-
ça venosa crónica. É importante recordar a
influência hormonal (estro-progestativa) no
sexo feminino e por essa razão, sublinhar
que a gravidez e a anticonceção oral devem
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Agosto 2017

