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ESPECIAL – EUROPEAN VENOUS FORUM    |  Jornal Médico



         da DVC, o especialista neozelandês apresen-  adesão dos leucócitos ao endotélio e a per-
         tou uma abordagem desta patologia por de-  meabilidade capilar, ao mesmo tempo que
         graus: desde as veias varicosas até às úlce-  melhora  o  tónus  venoso”,  frisou  o  Prof.
         ras (ver caixa).                        Doutor Marc Vuylsteke.
         Neste processo, o refluxo é um dos “atores”   “Mas, será que a FFPM trava a progressão da
         principais,  responsável  por  uma  remode-  doença venosa?”, questionou o especialista.
         lação das veias, com alterações mecânicas,   Num estudo recente (Tsukanov Y. et al., Or-
         bioquímicas e celulares.                thostatic-loading-induced  transiente  venous
         De  acordo  com  o  preletor,  existe  um  ca-  refluxes  and  remedial  effect  of  micronized
         minho  biológico  e  fisiológico  que  marca  a  purified  flavonoid  fraction  in  patients  with
         evolução/degeneração  na  doença  venosa,   telangiectasia and reticular vein, Int Angiol
         em que fatores como a genética, bioquími-  2016, 36(2):189-196) – levado a cabo em 96   “A literatura recente
         ca,  idade,  ambiente  ou  os  sistemas  socioe-  doentes do sexo feminino com sintomas de   sugere que a FFPM
         conómicos  têm  impacto.  “Como  se  trava  a  DVC  e  telangiectasias  e/ou  varicosidades
         progressão da DVC?” e “Seremos capazes de   (Classe CEAP C1s) - 55,2% (n=53) das doentes   poderá revelar-se
         prevenir esta progressão?” são questões que  apresentavam  refluxo  venoso  transitório   eficaz na prevenção
         gostaríamos de ver respondidas.         (à noite) e foram tratadas com 1.000 mg de
                                                 FFPM/dia.  “Aos  três  meses  de  tratamento,   da progressão da DVC,
         OPÇÕES TERAPÊUTICAS PARA TRAVAR         92,5%  das  doentes  já  não  tinham  refluxo.   para além da sua já
         A PROGRESSÃO DA DVC                     Adicionalmente,  verificou-se  que  o  diâme-  comprovada atuação
                                                 tro da grande veia safena destas doentes ti-
         Alterações do estilo de vida (perda de peso   nha reduzido significativamente.    em todos os sintomas e
         e prática de exercício físico), elevação/com-  Os sintomas (cãibras noturnas, fadiga, dor e   sinais desta patologia”,
         pressão  dos  membros  inferiores,  terapêu-  peso  nas  pernas)  diminuíram  significativa-
         tica  farmacológica  e  tratamento  cirúrgico.   mente  na  maioria  das  doentes”,  revelou  o   sublinhou o Prof.
         Estas são as opções terapêuticas disponíveis  preletor, defendendo que “apesar de serem   Doutor Marc Vuylsteke
         no contexto da DVC, segundo o Prof. Doutor   necessários  estudos  adicionais  –  nomeada-
         Marc  Vuylsteke,  sendo  adaptáveis  aos  vá-  mente RCT, de dupla-ocultação e controlados,
         rios estádios da patologia.             com follow-ups prolongados – a literatura re-
         É  fundamental  ter  em  conta  os  diferentes   cente sugere que a FFPM poderá revelar-se
         fatores de risco – história familiar (90% de  eficaz na prevenção da progressão da DVC,
         risco de veias varicosas em caso de ambos  para além da sua já comprovada atuação em
         os pais terem; 25% nos homens e 62% nas   todos os sintomas e sinais desta patologia”.
         mulheres caso um dos progenitores tenha),   Além disso, recomenda o especialista belga,
         gravidez, obesidade, ortostatismo, sedenta-  “há que seguir as guidelines que colocam os
         rismo,  tabagismo,  sexo  feminino  e  idade  –  fármacos venoativos como opção terapêuti-
         alguns dos quais modificáveis, sublinhou o   ca em caso de edema e dor provocados por
         especialista belga.                     DVC (Classe II a/Nível A), apontando em par-
         É  na  ação  sobre  a  componente  inflamató-  ticular o lugar que a FFPM ocupa nas gui-
         ria da DVC que a terapêutica farmacológica  delines internacionais: a FFPM foi o medica-
         tem um papel determinante, com os medi-  mento com maior nível de recomendações
         camentos  venoativos/agentes  flebotónicos   face ao seu nível de evidência no tratamento
         a demonstrarem impacto a este nível. “Um   da úlcera venosa, dos sintomas associados a
         dos  fármacos  mais  utilizados  desta  classe   DVC em doentes da classe CEAP C0s à C6s e
         terapêutica é a fração flavónica purificada  no edema associado a DVC (todas as outras
         micronizada  (FFPM).  De  acordo  com  evi-  substâncias  da  mesma  classe  terapêutica
         dência vária, a FFPM diminui a expressão  têm  nível  de  evidência  fraco  a  moderado
         das  moléculas  de  adesão  celular  (CAM),  a   nestas duas categorias).


          DA ABORDAGEM POR DEGRAUS À MELHOR ESTRATÉGIA DE TRATAMENTO

            Veias varicosas
                                    Refluxo
                                (+/- obstrução)

                                                  Hipertensão venosa

                                                                       Microcirculação

                                                                                        Respostas do tecido

                                                                                                                 Úlcera







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