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Jornal Médico | ESPECIAL – EUROPEAN VENOUS FORUM
SÍNDROME PÓS-TROMBÓTICA
Intervenção no sistema
venoso profundo
matologistas e flebologistas, que baseavam Desde 2000, com os trabalhos de Neglen,
o tratamento na compressão, na alteração a revascularização endovascular do setor
dos hábitos de vida e até no tratamento ter- ilíaco tem ganho adeptos e é, atualmente,
mal, facilmente se percebeu que as formas a técnica mais realizada no sistema venoso
graves de doença, necessitavam de outro profundo, apesar de ainda não haver uma
tipo de abordagem, nomeadamente quando correta definição do stent a utilizar e os re-
se instalavam quadros de úlcera de evolu- sultados variarem entre 57% de permeabi-
ção arrastada. lidade primária e 86% na permeabilidade
Logo nas décadas de 40 e 50, Linton e Bauer secundária a seis anos, mas, contudo, com
tinham apresentado técnicas cirúrgicas de uma nítida melhoria da qualidade de vida.
tratamento de casos de SPTVP, com resulta- No setor femoro-popliteu, Malet redesenhou
dos muito pouco convincentes, ou seja cerca nos últimos anos uma neoválvula, mas a ge-
de 50% de sucesso primário e com uma taxa neralização destes procedimentos tem sido
de recorrência a três anos de cerca de 60%. muito diminuta.
Posteriormente, já na década de 60, Palma Assim os casos de SPTVP a selecionar para
e Esperon, apresentam o seu cross over ve- tratamento cirúrgico/endovascular, devem
noso femoro-femoral, para a resolução dos ser limitados às formas avançadas de doen-
quadros oclusivos femoro-ilíacos, com re- ça, nomeadamente de C4 a C6, e se as lesões
sultados aceitáveis, que se manteve como são do setor femoro-ilío-cava, a angioplastia/
J. PEREIRA ALBINO alternativa até aos dias de hoje. stent tem um grau de evidência 1B, nas “Gui-
Coordenador da Cirurgia Vascular A década de 1980 foi fértil no aparecimento delines do American Venous Forum” de 2017.
do Hospital Lusíadas Lisboa de varias técnicas de revascularização, no- Os procedimentos do setor femoro-popli-
meadamente com os trabalhos de Kitsner, teu têm uma evidência mais baixa (2C) e
Husni e Raju, que introduziram a transposi- ainda devem ser mais escrutinados. Assim,
ção femoral, a valvuloplastia, o transplante podemos finalizar como Perrin, afirmando
valvular, e o bypass femoro-popliteu com que sobretudo nos últimos anos, houve um
veia safena, com sucessos relativos mas que efetivo avanço no tratamento das formas
continuam a ser procedimentos a ter em graves desta síndrome, mas a evidência
conta em formas graves e em doentes bem ainda se mantem pouco clara, dada a difi-
selecionados quando está envolvido o setor culdade em realizar estudos aleatorizados
A síndrome pós trombose venosa profunda femoro-ilíaco. nesta área.
(SPTVP) é, indiscutivelmente, a complica-
ção crónica mais frequente que ocorre no
decurso de uma trombose venosa profun-
da (TVP). Ela manifesta-se em 20 a 40% dos
doentes que apresentam esta patologia,
atingindo as suas formas graves cerca de 5
a 10% deste grupo.
Dada a sua importância, sobretudo na qua-
lidade de vida dos doentes afetados, ela é
fruto de estudos constantes, nomeadamen-
te na área da terapêutica e que foram mar-
cantemente abordados durante o EVF 2017.
Das várias comunicações e pósteres que
se debruçaram sobre esta patologia, des-
taca-se, sem dúvida, a comunicação de M.
Perrin, que fez um resumo da mais recente
evidência sobre o tema da terapêutica, as-
sunto a que se tem dedicado durante toda a
sua vida clínica.
Se no início – e falamos nas décadas de 60/70
do século XX – este quadro era sobretudo
tratado pelos médicos de clínica geral, der-
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Agosto 2017

