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NACIONAL | Jornal Médico
EFEMÉRIDE ASSINALA-SE A 1 DE OUTUBRO
Pensar o idoso é
o desafio do GESI
É já no próximo dia 1 de outubro que o Gru-
po de Estudos de Saúde do Idoso (GESI) da
Associação Portuguesa de Medicina Geral e
Familiar (APMGF) assinala o Dia do Idoso,
celebrado a nível internacional pela Organi-
zação das Nações Unidas (ONU) e pela Or-
ganização Mundial de Saúde (OMS). O tema
escolhido para a edição deste ano tem como
tema central “Caminhar para o Futuro: o
talento, a contribuição e a participação das
pessoas idosas na sociedade”, na certeza de
que a participação do idoso na sociedade
é um tema muito vasto. Estima-se que, em
2050, o número de pessoas com 60 anos ou
mais, em todo o mundo deverá superar o
número de crianças (mais de 15 anos).
“Neste contexto, existem algumas áreas que
podemos trabalhar, de entre as quais pro-
mover a integração social do idoso, possi-
bilitar ao idoso a sua participação na socie-
dade envolvente em diferentes atividades,
promover a atitude social, etc.”, defende o A efeméride surge na mesma altura em que
coordenador do Grupo de Estudos, Miguel é publicado o Plano Nacional para o Enve- OBJETIVOS DO GESI
Marques Ferreira. De salientar que o GESI lhecimento Ativo e Saudável, onde é possí-
foi criado no ano passado e conta já com a vel encontrar algumas respostas que o Gru- > Sensibilizar para as especificidades da saúde e da doen-
colaboração de 16 pessoas de várias zonas po procura, “embora não esteja tão vincada ça da pessoa idosa, nas suas vertentes diagnóstica e
do país. a ideia de participação no contexto social, terapêuticas. Sensibilizar para as especificidades da
Se à primeira vista estes parecem ser temas em áreas tão díspares como universidades saúde da pessoa idosa;
muito concetuais, o entrevistado explica que sénior, apoio a outros doentes, apoio social > Promover conceitos e ferramentas da medicina geriátri-
“esta reflexão é necessária e uma forma de, ou voluntariado”. ca entre os médicos de família;
enquanto médicos, olharmos para a socieda- Para o coordenador do GESI, “o principal de-
de e tentarmos dar uma resposta à realidade safio deste grupo é a prestação de cuidados de > Promover a notoriedade e a integração de conhecimen-
do crescente envelhecimento populacional”. saúde a idosos na comunidade assente em dois tos em medicina geriátrica de uma forma colaborativa
A tónica das iniciativas deste ano reside na eixos: a melhoria franca dos cuidados e formar com os associados da APMGF e com todos os Médicos
certeza de que os idosos têm várias capacida- melhor os profissionais que trabalham com de Família;
des e que estas devem ser colocadas ao servi- idosos, criando ferramentas que lhes permi- > Divulgar conhecimentos necessários para a abordagem
ço da sociedade à luz dos conceitos de saúde tam fazer um melhor acompanhamento”. integral e adequada dos problemas da pessoa idosa.
da pessoa idosa. Questionado sobre as principais falhas en-
“O bem-estar físico é um dos pilares daquilo contradas no terreno e que são a alavanca
que a OMS considera como sendo essencial de trabalho do grupo, o especialista nomeia o
para a saúde do idoso, expandindo o concei- facto de “persistirem planos de cuidados que “PRESCRIÇÃO RACIONAL NO IDOSO”
to para lá daquilo que é tipificado nesta área não englobam as particularidades da pessoa
para as dimensões de suporte social, bem-es- idosa, a falta de informação dirigida a esta > Uma das preocupações lançadas pelo GESI diz respeito
tar e ambiente, acesso à habitação e meios de população nos curricula de formação e a má à prescrição indevida nos idosos. Nesse sentido, “temos
transporte, participação social, entre outras. prescrição médica”.
Para a OMS, tudo isto se enquadra nas ne- De acordo com Miguel Marques Ferreira, tido formações, vamos lançar um jornal e sobretudo
cessidades do idoso do ponto de vista do seu “falta saber que há medicações que posso deixar clara a ideia de que tratar o idoso é mais do que
bem-estar”, explica. prescrever ao doente adulto e até à criança, aplicar escalas. É possível cuidar melhor com os tempos
O trabalho de promoção desta efeméride tem mas que não deve ser indicado ao idoso por- de consulta que temos para cumprir ou na ausência de
sido feito junto do público-alvo da associação que as suas características fisiológicas são meios complementares de diagnóstico”, sugere Miguel
que representam – os médicos de família – e distintas, situação agravada quando existe Marques Ferreira.
no próprio congresso organizado pela APM- uma situação de comorbilidades, de fragili-
GF e nas faculdades de Medicina. dade e polifarmácia associada”.
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Agosto 2017

