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Jornal Médico | ESPECIAL – 11. JORNADAS DE PREVENÇÃO DO RCV PARA MEDICINA FAMILIAR
as
“Ser um espaço de Prevenção Cardiovascular,
despertar consciências e fomentar a ação”
(6,7%), dos quais 4.342 óbitos (4,0%) por enfar- Quisemos, pretendemos
te agudo do miocárdio.
Atentemos, a aterosclerose e, por consequên- e tencionaremos,
cia, as doenças cardiovasculares são, em larga com cada um e
medida, acauteláveis. A sua elevada prevalên- todos juntos, ser um
cia não tem a ver, aparentemente, com qual-
quer suscetibilidade genética particular. Con- espaço de prevenção
tribuirá, mas a doença… A doença e as suas cardiovascular, despertar
consequências resultam dos comportamentos
e estilos de vida menos saudáveis adotados e consciências e fomentar
praticados na nossa vivência diária. Um ab- a ação. Obrigado
surdo do desenvolvimento e da vivência so- por terem vindo!
cial. Numa altura em que conseguimos uma
redução na mortalidade por doença infeciosas
fatais, uma melhoria progressiva das qualida-
des sanitárias e nutricionais e um progressi- nhecido dever e uma particular aptidão: dispor
vo incremento nas abordagens diagnósticas e do conhecimento e saber médico e promover
terapêuticas das doenças humanas, vimo-nos a prevenção e tratamento apropriado, justo e
confrontados com o prolongamento da vida, correto. Assim, nas Jornadas quisemos inscre-
PEDRO MARQUES DA SILVA com uma disponibilidade crescente de gordu- ver os médicos na comunidade a que perten-
Consultor de Medicina Interna ras, açúcares e calorias, com um sedentarismo cem. Pretendemos tornar verídica a realidade
do Hospital de Santa Marta excessivo, com um descurar de hábitos e estilos da prevenção cardiovascular. É necessário, é
Presidente das Jornadas de vida, com uma maior incidência de dislipi- premente estruturar a prevenção primordial.
demia, de hipertensão arterial, de diabetes e, É elementar impulsionar os melhores cuida-
no fim da linha, com a aterosclerose. dos de saúde às famílias e aos indivíduos – de
A preservação da saúde cardiovascular tem ambos os sexos e em todas as idades – com ou
E, assim, lá estivemos de novo… Assistindo às de deixar de ser marginal, periférica, na nos- em risco de doença aterotrombótica.
transformações que têm ocorrido nas nossas sa vivência pessoal, familiar e social. A maio- Quisemos, pretendemos e tencionaremos, com
vidas e na nossa sociedade. Económicas, sociais ria das doenças vasculares tem uma origem cada um e todos juntos, ser um espaço de pre-
e culturais. E, ao mesmo tempo, galanteando a multifatorial. Frequentemente, no mesmo in- venção cardiovascular, despertar consciências
forma como pensamos a Saúde, a nossa Saúde. divíduo (homem ou mulher), coexistem dois, e fomentar a ação. Obrigado por terem vindo!
“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto três ou mais fatores de risco cardiovascular Obrigado por termos estados juntos. Em har-
desencontro pela vida” (Vinicius de Moraes). que, atuando de forma sinérgica, aumentam monia. Obrigado por tornar real o imaginado…
Nos desacertos da vida, somos confrontados a probabilidade de ocorrência de um evento e desejado!
com a realidade da doença cardiovascular que, agudo cardiovascular. “Para unir é preciso amar, para amar é preciso
obstinadamente, continua a ser a principal Por isso, todos somos poucos. A Medicina Geral conhecer, para conhecer é preciso ir ao encon-
causa de morbilidade e mortalidade. Em 2015, e Familiar tem, no sistema de Saúde, um reco- tro do outro” (Cardeal Désiré-Joseph Mercier).
as doenças do aparelho circulatório foram a
principal causa de morte em Portugal, com
32.443 óbitos (29,8% da mortalidade total, mais
0,5% do que em 2014). As mulheres, ao con-
trário do que se julga, foram as mais afetadas:
55,5% do total de óbitos por doenças do apa-
relho circulatório (80,2 óbitos masculinos por
cada 100 femininos). Em média, as doenças do
aparelho circulatório afetaram os homens cer-
ca de seis anos mais cedo (no sexo masculino a
idade média no óbito foi de 77,8 anos e no sexo
feminino de 83,6 anos).
Por outro lado, houve uma diminuição na mor-
talidade prematura (de 13,9% em 2014 para
13,6% em 2015), com 47.850 anos potenciais
de vida perdidos no país. Uma particularidade.
Os acidentes vasculares cerebrais foram causa
de 10,8% do total de mortes (11.778 óbitos) e a
doença isquémica do coração de 7.328 óbitos
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Agosto 2017

