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ESPECIAL – EUROPEAN VENOUS FORUM    |  Jornal Médico



         NOVAS RECOMENDAÇÕES PARA O TRATAMENTO CIRÚRGICO DE VARIZES

         Mudança de paradigma: técnicas menos



         invasivas e 100% ambulatórias




















































         Foram apresentadas no EVF por Armando   fessor da Faculdade de Medicina da Univer-  disponíveis a nível nacional”. No entender do
         Mansilha, apesar de ainda se encontrarem   sidade do Porto, a este propósito.   especialista, “isso é bastante relevante, quer
         por  publicar,  o  que  deverá  acontecer  até   Assim  sendo,  adianta  Armando  Mansilha,  para os doentes, quer para os especialistas de
         ao final deste ano. São as novas guidelines   cabe  ao  médico,  antes  mesmo  da  escolha   Medicina Geral e Familiar (MGF) que sentem
         para o tratamento cirúrgico das varizes, re-  de  uma  determinada  técnica,  definir  uma  um maior conforto e segurança na referen-
         digidas por uma comissão específica para o   estratégia adaptada e personalizada a cada  ciação à Cirurgia Vascular”.
         efeito com a chancela do European Venous   doente. “A técnica deve adaptar-se e ser es-  O  paradigma  da  cirurgia  das  varizes  mu-
         Forum e da Union Internationale de Phlé-  colhida em função da estratégia terapêuti-  dou  e  a  técnica  clássica  evoluiu  para  téc-
         bologie, e configuram uma mudança de pa-  ca definida para o doente”, sublinha o es-  nicas  modernas  minimamente  invasivas.
         radigma no que à terapêutica cirúrgica no   pecialista, justificando: “entre as diferentes   “Faz-se  da  melhor  forma  e  a  melhor  for-
         contexto da doença venosa diz respeito.  técnicas cirúrgicas modernas minimamen-  ma  é  a  que  é  minimamente  invasiva.  É
         As  técnicas  contempladas  são  variadas,   te invasivas várias delas apresentam o mes-  muito  importante  transmitir  esta  marca
         mas há duas noções que são transversais:   mo nível de evidência/recomendação”. Isto   de confiança, não apenas aos doentes, mas
         serem cada vez menos invasivas e cada vez   porque pode haver doentes que, dentro de  também  aos  nossos  colegas  da  MGF”,  Ar-
         mais  ambulatórias.  E  é  nesta  proporcio-  uma  determinada  estratégia  terapêutica,  mando Mansilha.
         nalidade  inversamente  direta  entre  grau   beneficiem mais de uma ou de outra”.      Vantagens  para  doentes  e  médicos  decor-
         de invasão e taxa de ambulatorização que                                        rem, igualmente, do facto de estas técnicas
         as várias técnicas cirúrgicas utilizáveis no   PORTUGAL NO “PELOTÃO DA FRENTE”   cirúrgicas  serem  hoje  cada  vez  menos  in-
         tratamento das varizes se apresentam com   EM TODAS AS TÉCNICAS                 vasivas  e  cada  vez  mais  ambulatórias.  “A
         uma eficácia muito semelhante entre si.                                         taxa  de  ambulatorização  ronda  os  100%.
         “Temos várias opções/modalidades terapêu-  De acordo com o presidente da 18.ª edição do  Em 2017 não se justifica, nem se pretende
         ticas  cirúrgicas  que  oferecem  os  mesmos   EVF e membro da comissão responsável pe-  a  imobilização  pós-operatória.  Os  doentes
         resultados, igualmente bons, minimamente   las novas normas de orientação clínica, “Por-  podem e devem deambular, com algumas
         invasivas, com uma boa eficácia e com um   tugal está no ‘pelotão da frente’ no que con-  restrições,  no  dia  seguinte,  bem  como  re-
         grau de evidência que anteriormente não tí-  cerne  ao  tratamento  cirúrgico  das  varizes,   gressar à sua atividade laboral”, defende o
         nhamos”, refere o cirurgião vascular e pro-  na medida em que todas estas técnicas estão   cirurgião vascular.


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