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ESPECIAL – 11. JORNADAS DE PREVENÇÃO DO RCV PARA MEDICINA FAMILIAR | Jornal Médico
as
pretendem medir a capacidade do idoso
para as atividades de vida diárias básicas
(comer, vestir-se, lavar-se…), através da
Escala de Barthel e de Katz, e para as ati-
vidades de vida diárias instrumentais (fa-
lar ao telefone, ir às compras, escrever…),
através da Escala de Lawton. “Há ainda
outras ferramentas a considerar, como a
Escala de Morse para o risco de quedas, o
Time up and go que avalia o equilíbrio es-
tático e dinâmico ou o Short performance
physical battery que avalia o estado físico
e funcional”, adiantou o preletor.
Na avaliação social, é preciso, antes de
mais, ter em conta as condições domici-
liares, frisou o internista do CHUC, acres-
centando ainda como crucial “perceber
a possibilidade de cuidados urgentes,
história ocupacional e aptidões, necessi-
dade de serviços de apoio e acolhimento,
falta de transportes e situação financeira”
do idoso.
Após a AGG, cabe ao médico fazer uma sín-
tese dos problemas e prioridades e pensar
na melhor estratégia de intervenção para
aquela indivíduo, que poderá passar por
uma avaliação mais especializada, uma in-
tervenção médica, preventiva, educativa,
assistencial ou outra, ou até mesmo pela
institucionalização (ver caixa).
mento sobre a família, o habitat, os recursos No que concerne à avaliação funcional, “A AGG permite conhecer com maior pre-
económicos e a rede social do idoso. “esta é habitualmente ignorada no exame cisão os problemas do idoso, possibilitan-
Para proceder à AGG, o profissional de saú- do idoso, embora seja fundamental, na me- do uma resposta mais completa e ade-
de necessita de ter acesso a “instrumentos dida em que mais do que a doença, muitas quada e, consequentemente, uma melhor
adequados, exequíveis e validados para vezes é a perda de autonomia funcional qualidade de vida. A sua prática constitui,
os idosos portugueses. E ainda: que sejam que condiciona o futuro do idoso”, alertou por isso, a pedra angular de qualquer pro-
simples, fiáveis, de execução fácil, pouco o especialista. Neste plano, avançou, os grama de cuidados ao idoso”, concluiu Ma-
demorados e bem aceites pelo idoso”, refe- instrumentos de avaliação mais utilizados nuel Teixeira Veríssimo.
riu o preletor. Na avaliação do estado nutri-
cional, e de acordo com as recomendações
do Núcleo de Estudos de Geriatria da SPMI,
deve ser utilizado o Mini Nutritional Asses- SÍNTESE DA AGG
sment (versão curta: cinco minutos; versão
normal: 10 minutos), “que é o método mais
barato, mais rápido e mais facilmente apli- ANAMNESE EXAME EXAMES AVALIAÇÃO AVALIAÇÃO
cável na nossa prática clínica e é um ins- MENTAL COMPLEMENTARES FUNCIONAL SOCIAL
trumento de rastreio especificamente para
idosos que os classifica como bem nutridos,
em risco de desnutrição ou desnutridos”, ex- SÍNTESE
plicou o especialista.
Na avaliação do estado mental, há várias
ferramentas, sendo que “as mais consen-
suais”, no entender do professor da FMUC, PROBLEMAS E
o Mini Mental State Examination (MMSE) de PRIORIDADES
Folstein e o Montreal Cognitive Assessment
(MOCA) em termos de avaliação cognitiva,
e no que concerne à avaliação afetiva a Es-
cala de Depressão Geriátrica de Yesavage, INTERVENÇÃO
que classifica os idosos em três níveis: “sem
depressão”, “depressão ligeira” e “depressão
grave” (com um tempo de aplicação aproxi-
mado de seis minutos). Manuel Teixeira Ve- AVALIAÇÃO MÉDICA INSTITUCIONALIZAÇÃO
ríssimo lembrou que “o MMSE está validado ESPECIALIZADA PREVENTIVA
para a população portuguesa e tem bons EDUCATIVA
resultados no rastreio de demência, como a ASSISTENCIAL
OUTRAS
doença de Alzheimer, demorando entre cin- Fonte: “Saúde do Idoso” / IGE
co a 10 minutos a ser aplicado”.
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Agosto 2017

