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Jornal Médico   |  ENTREVISTA



         NUNO MIRANDA, COORDENADOR

         DO PROGRAMA NACIONAL PARA AS DOENÇAS ONCOLÓGICAS
         “QUEREMOS UM ACESSO MAIS RÁPIDO



         AOS CUIDADOS ONCOLÓGICOS E ENCURTAR



         OS TEMPOS DE ESPERA ONDE ELES EXISTEM”







         O relatório do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas foi publicado recentemente e não
         deixa dúvidas: há, efetivamente, um aumento do número de casos de cancro no país, com a taxa
         de incidência a fixar-se nos 3% ao ano. Se as taxas de cobertura dos rastreios das principais patologias
         oncológicas, próximas dos 100%, nos poderiam fazer regozijar de alegria, a verdade é que subsistem
         causas evitáveis que insistem em pairar no horizonte: os estilos de vida, a obesidade e, é claro, o
         tabagismo. Nesta caça ao erro em Oncologia, o coordenador deste Programa descansa-nos: Portugal
         parece mesmo ter este dom de “ficar bem na fotografia” quando se faz ladear pelos seus parceiros
         europeus, como o próprio especialista assume. Com um cenário de aumento das doenças oncológicas
         e da idade das suas vítimas, serão os cuidadores formais e informais os homens e mulheres a trazer
         esperança ao dia depois de amanhã? O Jornal Médico esteve à conversa com Nuno Miranda no
         Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil (IPO Lisboa), onde tratar é a palavra de ordem.







                                                                                         JORNAL MÉDICO (JM)| Tendo em conta a
                                                                                         realidade da população portuguesa, a im-
                                                                                         plementação  do  Registo  Oncológico  Na-
                                                                                         cional era, de facto, uma inevitabilidade?
                                                                                         NUNO MIRANDA (NM) | Não era uma inevi-
                                                                                         tabilidade. Nós já tínhamos um registo onco-
                                                                                         lógico que estava dividido em quatro plata-
                                                                                         formas. Não criámos nada de novo: estamos
                                                                                         a  registar  as  mesmas  informações,  mas  fa-
                                                                                         zemo-lo numa plataforma a nível nacional.
                                                                                         Com isto, uniformizamos os dados, tornamos
                                                                                         o registo mais eficaz e atual, permitindo-nos
                                                                                         proporcionar ao doente um tratamento igual
                                                                                         em  todo  o  país.  Faz  pouco  sentido  manter-
                                                                                         mos plataformas partidas a nível nacional…

                                                                                         JM | Poderão haver aqui perigos  “enca-
                                                                                         potados” neste processo? Falou-se muito
                                                                                         sobre as seguradoras….
                                                                                         NM | Não há nada de novo nesta platafor-
                                                                                         ma que a torne mais frágil. Pelo contrário,
                                                                                         ela é mais robusta e permite um controlo
                                                                                         maior de acessos comparativamente às
                                                                                         anteriores. Os acessos à plataforma são
                                                                                         registados e não são disponibilizados aces-
                                                                                         sos  nominais  a  entidades  estranhas  aos
                                                                                         tratamentos dos doentes. Isto significa que
                                                                                         quem acede aos dados já acompanha estes
                                                                                         doentes, como é o caso dos hospitais. Não
                                                                                         mais do  que  isto. Esta  é uma  plataforma
                                                                                         segura. Se eu posso garantir que não vai
                                                                                         haver violações na plataforma? Só se eu
                                                                                         fosse tolo, não é? Não existem, hoje em dia,


                                                                   6
                                                               Dezembro 2017
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