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Andreia Montes | andreiamontes@jornalmedico.pt                                         ENTREVISTA   |  Jornal Médico



         segurança nos meios informáticos a 100%  TAXAS DE COBERTURA DE RASTREIOS EM PORTUGAL
         como não há nada no Serviço Nacional de
         Saúde (SNS) que o garanta em relação aos
         dados  que  já  lá  estão.  Contudo,  a  preocu-
         pação com a segurança dos dados tem au-
         mentado. Recentemente, foram publicadas
         normas com vista à criação de responsá-
         veis por esta área dentro do SNS e é este ca-
         minho que temos de percorrer. Precisamos
         de ter os dados, por um lado, e, por outro,
         de garantir a sua confidencialidade.

         JM | O facto de estarmos perto de atingir
         a plenitude da cobertura de rastreios em
         Portugal no cancro da mama e do colo do
         útero é mérito de quem?
         NM  |  É  mérito  de  muita  gente. Das  admi-
         nistrações  regionais de saúde que vão im-
         plementando as medidas a nível local, das
         direções regionais de saúde dentro das re-
         giões autónomas, de  algumas pessoas que
         se esforçaram particularmente por isto, da
         Liga Portuguesa Contra o Cancro no rastreio
         do cancro da mama. É mérito dos profissio-
         nais de saúde.

         JM | O que é que precisamos de melhorar
         na área do cancro colorretal?
         NM | O acesso, a literacia das pessoas e os
         hábitos  de  vida,  com  menor  consumo  de
         alimentos que  aumentam  o risco da  doen-
         ça. Precisamos de mais  rastreios na área
         do cancro colorretal, de manter as pessoas
         mais alerta para a importância do diagnósti-
         co precoce e que estas tomem mais atenção
         aos sinais que o corpo lhes dá.

         JM | Enquanto coordenador do Programa
         Nacional para as Doenças Oncológicas, o
         que é que gostaria de ver de diferente no
         acesso aos cuidados oncológicos em Por-
         tugal?  De  que  mudança/melhoria  care-
         cem os serviços?
         NM | Queremos um acesso mais rápido e en-
         curtar os tempos de espera onde eles existem.

         JM | E nos próprios serviços?           FONTE: INE, 2017/ Programa Nacional para as Doenças Oncológicas
         NM | Não tenho qualquer indicador que
         demonstre que os serviços não funcionam   complexos. Há muitos fármacos novos que  provocar  uma mudança, por  um lado,
         adequadamente. Os resultados obtidos  conhecemos mal e que temos de aprender    nos doentes e no seu estilo de vida, e por
         em Oncologia em Portugal são semelhan-  a utilizar. Precisamos de estar alerta para o  outro, em quem pode tomar decisões em
         tes àqueles que existem em outros países   inesperado, já que o conhecimento em rela-  saúde, como é o caso do ministro da Saú-
         da Europa.                              ção a esses fármacos é baixo, tanto em Por-  de, Adalberto Campos Fernandes?
                                                 tugal como noutros países.              NM | As neoplasias associadas ao tabaco são
         JM | Falo especificamente das condições                                         a grande fonte de assimetria a nível nacio-
         de cada serviço…                        JM | De que forma é que as dificuldades  nal. Quando fazemos essa análise de perto,
         NM | Isso já é outra história! As condições   vividas no SNS se refletem na prática clí-  a  região dos  Açores é aquela  que  mais  se
         físicas dos serviços  deveriam ser, segura-  nica  diária de  um  oncologista  que,  não  destaca. Há um aumento da mortalidade
         mente, melhores. Temos hospitais antiqua-  estando diretamente relacionadas com a  por cancro do pulmão que diz respeito a um
         dos, com pouco espaço, com risco significa-  especialidade, são estrangulamentos pró-  maior  consumo  do  tabaco. Esta é a  causa
         tivo de infeção hospitalar, o que representa  prios do sistema?                 evitável mais importante.
         um  grande  problema  na  vida  dos  doentes   NM | Não sei se sou a pessoa ideal para falar
         oncológicos. Há falta de recursos humanos  disso. As contingências são muito locais…  JM | E que outras?
         e os que existem estão a trabalhar com um                                       NM |  Nenhum  caso é tão gritante como o
         forte  desgaste  em virtude do aumento do  JM | Que dados  do relatório do Progra-  dos Açores, não há  mais  nenhuma  região
         número de casos. As solicitações são maio-  ma Nacional para as Doenças  Oncológi-  que sobressaia em termos de mortalidade.
         res, os doentes e os tratamentos são mais   cas, referente ao ano de 2017, deveriam   Todas as outras são compensadas  de uma


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