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ENTREVISTA | Jornal Médico
JOSÉ PEREIRA ALBINO
“EXTRATO DE RUSCUS + HMC + VITAMINA C
COM GRAU DE EVIDÊNCIA 1A ABRE LEQUE
DE OPÇÕES TERAPÊUTICAS NA IVC”
Em junho, foi apresentada no European Vascular Forum (EVF) 2017 uma proposta de alteração
das normas de orientação clínica (NOC) para o tratamento da insuficiência venosa crónica (IVC),
mais concretamente a atribuição de nível de recomendação 1A ao extrato de Ruscus + HMC +
vitamina C. O Jornal Médico quis saber o que tem o especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular
do Hospital Lusíadas Lisboa, José Pereira Albino, a dizer sobre a evidência que suporta
esta recomendação e que vantagens traz à sua prática clínica.
científico adequado e tendo como base o
suporte da indústria farmacêutica. Neste
congresso foram apresentados, contudo,
vários estudos recentes que permitiram
afastar esta ideia e colocar esta associa-
ção a par de outra já existente – a fração
flavonoide micronizada – como as únicas
com grau de evidência 1A no tratamento
da IVC, o que permite abrir o leque de op-
ções que se colocam atualmente ao médi-
co.
JM | Qual o papel do especialista de Me-
dicina Geral e Familiar (MGF) na pre-
venção/tratamento da IVC?
JPA | Ao especialista de MGF cabe diag-
nosticar a doença venosa crónica. Grande
parte dos doentes que ocorrem às con-
sultas apresenta, sobretudo nos meses de
maior calor, cansaço e edema moderado,
apresentando unicamente formas pre-
coces da doença nomeadamente telan-
giectasias ou varizes reticulares. Outros,
JORNAL MÉDICO (JM) | Qual a importân- JM | Qual a sua opinião sobre a proposta por sua vez, já apresentam formas mais
cia dos fármacos venotrópicos no trata- de alterações das NOC para o tratamento avançadas, mas encontram-se em lista
mento da IVC? da IVC, mais concretamente a atribuição de espera para tratamento cirúrgico das
JOSÉ PEREIRA ALBINO (JPA) | A doença de nível de recomendação 1A ao extrato suas varizes, mantendo sintomatologia
venosa crónica acompanha a evolução da de Ruscus + HMC + vitamina C, debatida marcada. Após o diagnóstico correto, que
humanidade e há descrições de úlceras de durante o EVF 2017? passa sempre pela realização de um eco-
perna e do seu tratamento no papiro Ebers JPA | Os fármacos venotrópicos existem há doppler – pois nunca deve ser esquecido
no Egipto. Assim, substâncias capazes de vários anos e a sua eficácia foi demonstrada que as simples telangiectasias visíveis a
modificar o processo inflamatório resultan- através de excelentes trabalhos ao nível da olho nu podem ser a “ponta do iceberg”
te desta doença têm vindo a ser desenvol- investigação básica, em que se demonstrou de varizes tronculares existentes – o clí-
vidas ao longo dos anos. No último século, a diminuição marcada da reação inflama- nico tem forçosamente que utilizar fár-
contudo, as descobertas foram sobretudo tória existente, mas com grande dificulda- macos venotrópicos para o alívio da sin-
no sentido de melhorar a sintomatologia de de serem extrapolados de forma cien- tomatologia existente. As meias elásticas,
álgica e o edema, característicos deste tipo tificamente credível para os humanos. A também bastante úteis, têm sofrido nos
de enfermidade. Apesar de poderem atuar associação do extrato de Ruscus + HMC + últimos anos algumas alterações às suas
em todas as fases da doença venosa, a im- vitamina C estava englobada neste ultimo indicações, fruto também da sua baixa to-
portância dos venotrópicos é maior no tra- grupo até ao último EVF, que decorreu no lerância e da sua comprovada dificuldade
tamento das fases precoces da IVC e no alí- Porto, em junho. Ou seja, eram fármacos de eficácia acima do joelho. Porém, caso
vio da sintomatologia existente, que nestas com vários trabalhos existentes sobre a proporcionem conforto ao doente, devem
fases é, amiúde, extremamente marcante. sua eficácia, mas a maioria sem o rigor ser consideradas no regime terapêutico.
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Janeiro 2018

