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NACIONAL | Jornal Médico
SOCIEDADE PORTUGUESA DE CARDIOLOGIA
É necessário “Repensar o Futuro da
Saúde Cardiovascular em Portugal”
A Fundação Calouste Gulbenkian foi palco, no passado dia 13 de dezembro,
de uma conferência promovida pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC),
que pretendeu reunir os intervenientes nos vários níveis de decisão
para um debate sobre o futuro da Cardiologia em Portugal.
Desde a investigação epidemiológica ao pa- repensar os meios para a contínua redução
pel dos media, passando pelos desafios para da mortalidade”.
a economia e para a política, muitos foram os Finalmente, o ex-ministro da Saúde, António
tópicos abordados, com o objetivo de “repen- Correia de Campos, abordou a importância
sar o futuro da saúde cardiovascular”. do papel dos decisores políticos na mudança.
A diretora do Centro de Epidemiologia do A sessão terminou com um debate moderado
Centro Hospitalar de São João, Ana Azevedo, pelo diretor do jornal Tempo Medicina, José
abriu o encontro, defendendo “a importância Antunes, que defendeu o ponto anteriormen-
dos registos clínicos e a necessidade de da- te abordado por João Morais: “Portugal tem
dos”, que “são muito úteis para percebermos reduzido a mortalidade, mas as fragilidades
como melhorar”. O presidente da SPC, João Morais, lamentou que pré e pós?”, questionou, explicando que a
Debruçou-se, ainda, sobre a diminuição da “o aumento da quantidade de vida não se tenha feito reabilitação tem “indicadores muito fracos”
taxa de mortalidade por doenças cardio- acompanhar por aumento da [sua] qualidade” e que a aposta na “promoção da saúde” tam-
vasculares, entre 1995 e 2008, o que levou bém é insuficiente. “Se não se apostar na pre-
o presidente da SPC, João Morais a lamentar venção, não há forma de sustentar os custos.
que “o aumento da quantidade de vida não O tratamento não deve ter todo o peso na
se tenha feito acompanhar por aumento da despesa”, lançou à discussão.
[sua] qualidade”. O Secretário de Estado adjunto e da Saúde,
De seguida, o diretor do Diário de Notícias, Fernando Araújo, concordou que a preven-
Paulo Baldaia, discutiu a utilidade dos media ção é o caminho a seguir, afirmando que
para a promoção da saúde cardiovascular, “temos que olhar para o futuro e apostar
focando-se nas mudanças que têm ocorrido [na prevenção]”.
com o aparecimento das redes sociais. “A O presidente da SPC garantiu, no final, que
informação sobre saúde surge na internet “os objetivos do debate foram cumpridos”, e
através de diversos meios, mas a comunica- mostrou-se satisfeito com o público presen-
ção organizada é importante para disponibi- te. “Tivemos um grupo que tem capacidade
lizar informação mais credível”, defendeu, O diretor do Diário de Notícias, Paulo Baldaia, defendeu de decisão e obrigação de pensar na saúde”,
garantindo que “o jornalismo ainda está vivo a utilidade dos media para a promoção da saúde afirmou, acrescentado, em relação ao forma-
devido à credibilidade que tem, e as pessoas cardiovascular to do encontro, que “não tínhamos propria-
necessitam de ter no que confiar”. mente um guião, quisemos deixar a reunião
Paulo Baldaia sublinhou, ainda a propósito ir para onde tivesse de ir”.
da mudança de paradigma nos media, que “Penso que é unânime que os objetivos an-
existem “diferenças de que os médicos nem dam à volta da insuficiência cardíaca e da
sempre se apercebem”, explicando que nas prevenção da morte súbita, assim, ficou aber-
redações já quase não existem jornalistas es- ta a possibilidade de podermos vir a intervir
pecializados em saúde, pelo que “os médicos cando que “os hospitais que têm dívidas em em novas áreas, principalmente na área da
devem ser capazes de se organizar, disponi- atraso registam um maior número de rein- prevenção, onde existe um longo caminho a
bilizando informação útil e traduzida para o ternamentos, e uma maior mortalidade por percorrer”, concluiu.
público em geral”. acidente vascular cerebral (AVC) hemorrági- O encontro contou, também, com a participa-
O professor catedrático da Faculdade de Eco- co”. Portanto, concluiu, “o sistema económi- ção da diretora-geral da saúde, Graça Freitas,
nomia da Universidade de Lisboa, Pedro Pita co influencia o trabalho dos médicos”. do vogal do conselho diretivo da Administra-
Barros, olhou a questão do ponto de vista eco- João Morais debruçou-se sobre a necessi- ção Central do Sistema de Saúde (ACSS), Ri-
nómico, garantindo que o “mecanismo” para dade de repensar a estratégia para a saúde cardo Mestre, do vogal e vice-presidente do
evitar a doença por via da prevenção ainda cardiovascular, uma vez que estas doenças conselho diretivo da Administração Regional
não foi encontrado, porque “pagar a preven- “continuam a representar 40% das causas de Saúde (ARS) do Norte, Rui Cernadas, do di-
ção cria o desafio de pagar pelo que não se de morte na Europa”. Assim sendo, o espe- retor do Programa Nacional para as Doenças
observa”. Por outro lado, defendeu que “a cialista relembrou que o objetivo da SPC é Cérebro-Cardiovasculares, Rui Ferreira, e do
economia também lança desafios”, expli- propor “a abertura do debate nacional, para presidente-eleito da SPC, Victor Gil.
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Janeiro 2018

