Page 14 - JM Especial XXXII Congresso Penumologia
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Jornal Médico   |  EDIÇÃO ESPECIAL



         DOENÇA RESPIRATÓRIA OCUPACIONAL

         ESPECIALISTAS IDENTIFICAM PROFISSÕES




         DE RISCO E ALERTAM PARA SUBDIAGNÓSTICO






         Há profissões classicamente associadas ao risco de doenças respiratórias
         ocupacionais. Trabalhadores em minas, pedreiras, fundições, trabalhadores que
         utilizam jato de areia, metalúrgicos ou profissionais da indústria naval, contemplam
         um risco elevado. Numa das sessões temáticas “Ano Pneumológico em Revisão”, os
         especialistas salientaram que começam a surgir outras profissões associadas a risco
         de desenvolvimento de pneumoconioses, tais como trabalhadores de conglomerados
         artificiais de quartzo ou técnicos de medicina dentária.






                                                                                         O pneumologista do Hospital Universitário
                                                                                         de Coimbra, António Jorge Ferreira, alertou
                                                                                         para o subdiagnóstico destas doenças respi-
                                                                                         ratórias ocupacionais, salientando que “ape-
                                                                                         sar de possuírem uma elevada repercussão
                                                                                         na qualidade de vida dos trabalhadores, es-
                                                                                         tamos perante um grupo de patologias que
                                                                                         se encontram subavaliadas”.
                                                                                         Com especial enfoque na asma ocupacional,
                                                                                         o  especialista  sublinhou  o  reconhecimento
                                                                                         desta patologia como uma importante cau-
                                                                                         sa de doença profissional e de incapacidade
                                                                                         para  o  trabalho.  “Os  números  têm  vindo  a
                                                                                         aumentar a nível internacional, com particu-
                                                                                         lar impacto nos países mais industrializados.
                                                                                         Trata-se de uma doença caracterizada por
                                                                                         limitação variável do fluxo aéreo ou hipera-
                                                                                         tividade brônquica que tem origem nas con-
                                                                                         dições de trabalho não favoráveis”, referiu.
                                                                                         A asma ocupacional pode persistir até mes-
                                                                                         mo vários anos após a remoção da exposição
                                                                                         ao agente causal, principalmente quando o
        António Jorge Ferreira                                                           doente teve sintomas por um longo período
                                                                                         anterior à cessação da exposição. Face a esta
                                                                                         realidade, alertou o clínico, “é fundamental
                                                                                         que exista um sistema de vigilância nos lo-
                                                                                         cais de  trabalho, assegurado  por médicos
         “Em Portugal, particularmente no norte do  não existe um tratamento dirigido à doen-  do trabalho e por técnicos de higiene e se-
         país, a silicose é a uma das doenças respira-  ça. Podemos aliviar  sintomas,  tratar com-  gurança,  de  modo  a  promover  a  melhoria
         tórias ocupacionais mais prevalente e atual-  plicações, administrar oxigénio se o doente   das condições  de trabalho pela eliminação
         mente está  associada fundamentalmente   desenvolver insuficiência respiratória… Nas   de substâncias nocivas e pela implementa-
         a  profissões  relacionadas  com  a  extração   fases avançadas da  doença, o transplante  ção de sistemas de ventilação que permitam
         de pedra”.                              pulmonar  acaba  por ser uma  alternativa  aumentar a qualidade do ar.
         O alerta parte da  diretora  do Serviço de  para estes doentes”.                No entender do pneumologista, “apesar do
         Pneumologia  do Centro Hospitalar de  Vila  A  incidência  de  doenças respiratórias ocu-  esforço que tem vindo a ser desenvolvido
         Nova de Gaia, Aurora Carvalho, que expli-  pacionais nos últimos  anos tem vindo  a  no  sentido  de  identificar  determinadas  pa-
         ca que esta é “uma das doenças pulmonares  diminuir  em países desenvolvidos  embo-  tologias, nem sempre existe uma associação
         ocupacionais mais antigas, mas continua a   ra, mesmo nesse contexto,  continue a ser   direta da causa/efeito. Em termos futuros,
         causar morbilidade e mortalidade significa-  responsável  por morbilidade  e mortali-  preconiza-se um esforço global de melhoria
         tivas em todo o mundo”.                 dade  significativas  no  plano  da  patologia  contínua das condições de saúde e segurança
         De acordo com Aurora Carvalho, e em ter-  ocupacional, o que  se deve, em parte, ao  no trabalho de forma a minimizar o risco e im-
         mos  de  prevenção e  tratamento, “grande  aparecimento  de  novas  profissões  de  risco   pacto das doenças profissionais em Portugal,
         parte destas doenças são preveníveis, mas   para pneumoconiose.                 nomeadamente na sua vertente respiratória”.


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