Page 17 - JM Especial XXXII Congresso Penumologia
P. 17
ATUALIDADE TERAPÊUTICA | Jornal Médico
o Anoro foi capaz de reduzir a deterioração Centro Hospitalar Lisboa Norte, a centrar a
®
clínica nas suas três dimensões – ocorrência sua apresentação na prática clínica.
da primeira exacerbação de DPOC, deterio- Como tal, apresentou um caso clínico sobre
ração do estado de saúde e deterioração da uma mulher de 59 anos, seguida em consul-
função pulmonar – quando comparado com ta desde 2015 após quadro compatível com
placebo (44% vs 75%). Com TIO, essa taxa exacerbação aguda de DPOC. Explicando
é de 59%, reduzindo para 41% com o Ano- que se trata de uma doente GOLD B, “muito
ro , acrescentou o preletor, concluindo que sintomática e com um compromisso signi-
®
“com a terapia combinada verificou-se um ficativo da função respiratória”, a especia-
incremento na prevenção dos eventos de lista referiu que a estratégia de tratamento
deterioração clínica dos doentes, em compa- inicial consistiu na associação fixa de LABA/
As inovações terapêuticas que a GSK tem trazido à área
respiratória foram passadas em revista pelo responsável da ração à monoterapia”. LAMA. Atualmente, apresenta “franca me-
Área Médica da companhia na Europa, Dr. Adam Hawkins Em relação ao perfil de segurança, os resul-
tados do estudo Maleki-Yazdi et al. (2016)
mostraram não haver evidência de que o
Anoro seja menos tolerado que o TIO. A
®
combinação dupla de LAMA/LABA mos-
trou ter um perfil de segurança similar à
monoterapia com LABA e LAMA, segundo
Oba et al. (2015).
tes com exacerbações, mas também nos que O Dr. Ian Naya finalizou a sua apresentação
apresentam uma sintomatologia marcada”. referindo que os sintomas e as exacerbações
O Dr. Ian Naya apresentou ainda dados de na DPOC contribuem não só para “um risco
uma análise da utilização em primeira-linha futuro, como para um gasto na economia”.
de terapêuticas combinadas em doentes sin- Embora os doentes possam ou não respon-
tomáticos com DPOC. Em três estudos, que der favoravelmente aos broncodilatadores
procederam a uma comparação de Anoro UMEC e VI em monoterapia, “a combinação
®
(UMEC/VI) versus (vs) tiotrópio (TIO), obser- UMEC/VI proporciona sempre uma melhor
vou-se que o FEV melhorou. Uma meta-aná- broncodilatação”. A combinação UMEC/VI A importância da translação de conhecimento entre
1
lise dos três estudos apurou que o aumento demonstrou melhoria no FEV se usado em investigação científica e prática clínica foi o foco na última
1
foi de 95 ml com o Anoro comparativamen- primeira-linha vs TIO. “A terapêutica combi- parte deste simpósio da GSK, em que a Dr.ª Elsa Fragoso, do
®
te ao TIO. Analisando apenas o grupo naï- nada melhora os sintomas e reduz o risco de Centro Hospitalar Lisboa Norte, apresentou um caso clínico
ve, verificou-se que “a utilização de Anoro exacerbações” comparativamente ao place-
®
como primeira-linha atinge uma diferença bo e à broncodilatação em monoterapia. A
de 146 ml comparativamente com TIO”. combinação de dois broncodilatadores tam-
bém “previne a deterioração clínica”, quan-
VANTAGENS DA TERAPÊUTICA do comparada com TIO.
COMBINADA COM LABA+LAMA
FAZER A PONTE ENTRE A lhoria sintomática sob dupla broncodilata-
Uma análise de Cazzeta et al. (2016) revelou INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA ção e mantém-se sem exacerbações”.
que o Anoro apresenta melhores resulta- E A PRÁTICA CLÍNICA Com base em dados teóricos, a preletora ex-
®
dos no FEV do que combinações como acli- plicou a referida escolha terapêutica, subli-
1
dínio/formoterol, glicopirrónio (GLI)/inda- A importância da translação de conheci- nhado que “a perda da função pulmonar é
caterol (INN) ou TIO/olodaterol. Num estudo mento entre investigação científica e prá- mais acentuada nas fases precoces da doen-
de Donohue et al. (2013), Anoro reduziu o tica clínica foi o foco na última parte deste ça”, segundo Tantucci (2012). Quanto à du-
®
uso da medicação de resgate e melhorou o simpósio da GSK, com a Dr.ª Elsa Fragoso, do pla broncodilatação com UMEC/VI, mostrou
estado de saúde vs placebo. Já no estudo de uma melhoria no FEV vs placebo (Donohue
1
Maleki-yazdi et al. (2014), observou-se que o et al., 2013). A especialista abordou ainda
Anoro reduziu o uso de medicação de res- factos sobre a variação média dos volumes
®
gate em mais 62% e que melhorou o estado pulmonares que se relacionam com a in-
de saúde em mais 43% que o TIO. suflação pulmonar, tendo neste contexto a
Quanto ao parâmetro das exacerbações, há combinação UMEC/VI mostrado “melhoria
dois importantes estudos – SPARK e FLAME da capacidade inspiratória” vs placebo, de
– que ajudam a entender a sua redução com acordo com Maltais (2014).
terapêutica combinada. Em ambos os estu- Em jeito de conclusão, a Dr.ª Elsa Fragoso
dos, o GLI/INN apresentou uma menor taxa lembrou “o impacto profundo da DPOC na
de exacerbações comparativamente a GLI e qualidade de vida e o facto de a insuflação
TIO em monoterapia. pulmonar ser o fator que melhor se corre-
Segundo Oba et al. (2015), a utilização combi- laciona com os sintomas, como a dispneia,
nada de broncodilatadores LAMA/LABA mos- a intolerância ao exercício e a mortalidade
trou reduzir o risco de exacerbação vs pla- na DPOC”. De acordo com a médica, as as-
cebo e LABA, mas não mostrou diminuição sociações LABA/LAMA funcionam como um
significativa comparativamente aos LAMA. “stent farmacológico”, pois melhoram a me-
Em Donohue et al. (2013), o Anoro mostrou O diretor científico da GSK, Dr. Ian Naya, foi ao Algarve cânica ventilatória e reduzem a insuflação
®
reduzir em 52% o risco da primeira exacer- partilhar algumas das novidades do Congresso da European pulmonar. E concluiu que “a dupla bron-
bação vs placebo, sublinhou o Dr. Ian Naya. Respiratory Society (ERS), que decorreu em Londres, no codilatação deve ser a estratégia inicial no
Um estudo de Singh et al. (2016) mostrou que início de setembro doente muito sintomático”.
17
Março 2017

