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jornal médico | esPeciaL – vacinação
proGrama NaCIoNal dE vaCINação
racional para novidades e desafios futuros
A atualização do Programa Nacional de Vaci- vidas e medos, cabendo aos profissionais de
nação (PNV) de 2017 baseou-se, de acordo com saúde ajudarem a encontrar o caminho certo”,
a Direção-Geral da Saúde (DGS), em cinco pila- conclui a especialista.
res essenciais: imunização antes do nascimen-
to; aumento da proteção, com mais antigénios;
simplificação, mantendo a imunogenicidade; prINCIpaIS altEraçõES do pNv 2017
vacinação ao longo da vida e proteção indivi-
dual de grupos de risco.
A pediatra e membro da Comissão Técnica de tdpa
Vacinas, Ana Leça, recorda que o PNV é um vacinação da grávida contra tosse convulsa, com o
programa universal – que abrange todas as objetivo de:
pessoas que vivem em Portugal e não apenas • Conferir proteção passiva do recém-nascido
as pessoas de nacionalidade portuguesa –, gra- antes do início da vacinação com dtpa (passagem
tuito para o utilizador (sendo financiado pelo transplacentária de anticorpos mãe-filho);
Orçamento do Estado), com uma gestão a nível • Dar proteção aos filhos contra doença grave e morte
nacional, mas descentralizado, isto é, o concur- nas primeiras semanas de vida.
so é nacional, a compra é regional.
“O PNV é dinâmico e toda a sua evolução tem Hexavalente
como objetivo os ganhos em saúde”, destaca a Nova vacina combinada aos 2 e 6 meses de idade
especialista, justificando esta evolução/dina-
ana leça mismo por motivos epidemiológicos ou novos (dtpaHibvIpvHb), com o objetivo de:
pediatra conhecimentos científicos que permitem alte- • Minimização do número de injeções;
membro da Comissão técnica de vacinas rar os esquemas vacinais (ex.: Gardasil quadri- • Melhor aceitação do esquema recomendado.
valente) ou em função de avanços tecnológicos
e científicos, com disponibilidade de novas va- vaSpr e dtpavIp
cinas (ex.: Gardasil nonavalente). vacinação aos 5 anos de idade, com o objetivo de:
Ana Leça sublinha que “a cobertura vacinal • Proteção mais precoce;
em Portugal é a mais elevada e consistente da • Memorização da idade-chave para vacinação.
Europa e provavelmente do mundo, porque
temos um programa de vacinação solidamente Hpv
implantado, porque os profissionais de saúde vacina de nove genótipos aos 10 anos de idade, com o
se empenharam na vacinação, porque há con- objetivo de:
as recentes alterações fiança da população no PNV, porque não temos • Proteção contra cerca de 90% dos tipos de HPV
movimentos antivacinais organizados e porque
ao Programa nacional ainda temos pouca expressão da hesitação em associados a cancro do colo do útero;
de vacinação (Pnv) vacinar”. Porém, adverte, “esta tendência vai • Proteção aumentada contra outros cancros
refletem o dinamismo crescer e constituir um desafio para todos nós”. anogenitais por Hpv;
• Proteção mais precoce, maximizando a
que – incontornável e Assim sendo, assegurar o PNV num contex- imunogenicidade;
to difícil de reformas no setor da saúde e de
desejavelmente – carateriza alterações do contexto socioeconómico traz • Memorização da idade-chave para vacinação.
esta ferramenta. Quem o desafios que importa considerar. “É um pro-
afirma é Ana Leça, pediatra e grama de complexidade crescente, pelo desen- td
membro da comissão técnica volvimento científico e tecnológico crescente, vacinação aos 10, 25, 45, 65 anos e, a partir desta idade,
pela disponibilidade de várias vacinas, difi-
de vacinas, que apresenta o culdade de fornecimento de algumas vacinas de 10 em 10 anos, com o objetivo de:
• Simplificação, mantendo a imunogenicidade e
racional para as novidades porque o fabrico muitas vezes não chega para proteção;
contempladas desde janeiro as encomendas, alterações dos padrões epide- • Proteção mais precoce (10 anos de idade);
deste ano no Pnv, ao mesmo miológicos das doenças (erradicação ou ressur- • Proteção reforçada ≥ 65 anos de idade, devido ao
gimento/surtos – como a atual recomendação
tempo que aponta as para vacinação das grávidas contra a tosse aumento da imunossenescência.
potenciais linhas de evolução convulsa) e das dinâmicas sociais, com uma
deste importante documento crescente resistência à utilização de vacinas, bCG
vacinação de grupos de risco contra tuberculose (tb),
e os desafios futuros em porque há doenças que estão controladas e as com o objetivo de:
pessoas não veem o risco dessas doenças pre-
termos de vacinação veníveis pela vacinação”, sustenta a médica. vacinar as crianças que realmente necessitam da vacina.
em Portugal. “Mesmo os pais que vacinam podem ter dú-
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Março 2017

