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esPeciaL – vacinação | jornal médico
vaCINação CoNtra a GrIpE SazoNal E aNtIpNEumoCóCICa
Que estratégias para patologias distintas?
filipe froes
assistente hospitalar graduado de
pneumologia e medicina Intensiva
Consultor da dGS e membro da Comissão
técnica de vacinação
A vacinação contra a gripe sazonal e a an- cia de que, para que tal aconteça, é neces-
tipneumocócica tem, de acordo com Filipe sária a realização de estudos de impacto, de
Froes, duas estratégias diferentes. Relati- custo de efetividade, o que obriga à alocação
vamente à primeira, o assistente hospitalar de mais recursos, esta é uma alteração que
graduado de Pneumologia e Medicina Inten- só deverá ocorrer a médio prazo”, explica o graves da doença e, na maior parte das ve-
siva, que acumula funções como consultor consultor da DGS. zes, sem as complicações responsáveis pelo
da Direção-Geral da Saúde (DGS) e membro Do ponto de vista das complicações, importa acréscimo de morbilidade e de mortalidade.
da Comissão Técnica de Vacinação, defende prevenir tudo aquilo que, pela sua dimensão, “Precisamos de olhar a vacina antigripal
que “a vacinação contra a gripe é o méto- possa surtir maior impacto em termos de nesta dupla componente”, sublinha.
do mais eficaz de combate, não só contra a doença individual e de repercussões na co- “Gostaria que, em breve, fosse possível incluir
gripe, mas também das suas complicações munidade do ponto de vista da saúde pública. a vacinação gratuita das crianças até aos 24/36
porque a eficácia desta vacina depende das Destacam-se, entre outras, as idas às urgên- meses e, eventualmente, incluir na vacinação
características do seu ‘hospedeiro’, nomea- cias hospitalares, o absentismo laboral, o con- gratuita alguns grupos de risco significativo
damente o seu estado imunológico, sendo sumo de recursos de saúde e de antibióticos. como os doentes diabéticos insulinodepen-
ainda variável de acordo com o tipo e o sub- A título individual as preocupações recaem dentes, os doentes respiratórios crónicos.”
tipo do vírus influenza”. sobre as doenças crónicas associadas, “no- No caso da vacina pneumocócica, a prio-
Na sua opinião, a medida mais estruturan- meadamente a insuficiência cardíaca e res- ridade foi atribuída às comorbilidades em
te que surgiu em Portugal nos últimos anos piratória, a agudização de casos de doença detrimento da idade. Num estudo do qual
foi, indubitavelmente, a gratuitidade da sua pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), a Filipe Froes fez parte foi analisado o impac-
administração na população com mais de 65 complicação do enfisema, a agudização da to da pneumonia nos doentes com diabetes,
anos, iniciativa que passou a vigorar a partir diabetes”, sendo a mais grave a “pneumonia concluiu-se que os doentes com diabetes são
de 2012/2013. Para Filipe Froes, esta é uma bacteriana secundária, que vai resultar da internados por períodos de tempo superior e
contribuição “contínua e progressiva para o diminuição das defesas, sobretudo a nível têm um número mais elevado de óbitos com-
aumento das taxas de cobertura vacinal nos local, favorecendo uma sobreinfeção bacte- parativamente aos doentes sem aquela doen-
grupos de risco e os grupos de risco mais riana e é muitas vezes esta a situação res- ça metabólica. Posteriormente, “tentámos
importantes são, precisamente, este grupo ponsável pela morte do doente”. apurar, dentro dos grupos etários, aqueles
etário”, que é também aquela que acumula Alguns estudos realizados em Portugal des- em que havia maior impacto, independente-
mais comorbilidades: dois terços das pes- tacam a forte relação entre o aumento da mente de se tratarem ou não de doentes dia-
soas com mais de 65 anos de idade têm, pelo atividade gripal da comunidade e os inter- béticos, e chegámos aos adultos entre os 20 e
menos, uma doença crónica. namentos por pneumonia no mesmo perío- os 39 anos”. Como tal, remata, “houve uma
Para o futuro, seria extremamente impor- do o que, de acordo com Filipe Froes, não é estratégia equitativa: dar mais a quem mais
tante alargar a gratuitidade desta vacina a evitado na totalidade com a vacinação, mas precisa, e o mais cedo possível para o prote-
outros grupos. “Contudo, e tendo consciên- permite ao doente contrair formas menos ger de uma forma mais adequada” e urgente.
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Março 2017

