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jornal médico   |  esPeciaL – vacinação



         Hpv

         balanço de uma década de vacinação












                                                 A vacina contra o HPV foi incluída no Plano   condiloma acuminado reduziu cerca de 90%
                                                 Nacional  de  Vacinação  (PNV)  em  Portugal   e os casos de citologias do colo do útero com
                                                 no ano 2008 e começaram por ser vacina-  anomalias foi reduzido em quase 50%, com
                                                 das as jovens de 13 anos de idade, tendo-se   reflexos  em  subsequentes  testes  de  diag-
                                                 elaborado um cronograma de recuperação   nósticos  e  de  medidas  terapêuticas.  Estes
                                                 para as jovens nascidas a partir do ano de  elementos da aplicação da vacinação à po-
                                                 1992. Contudo, para ter uma resposta máxi-  pulação são bons indicadores de que o can-
                                                 ma, a vacinação deverá ser efetuada antes   cro do colo do útero será uma raridade nas
                                                 do  início  da  atividade  sexual,  sendo  essa  jovens vacinadas daqui por 20 ou 30 anos,
                                                 uma  das  vantagens  da  redução  da  idade  que é o período de tempo que se estima ne-
                                                 para a administração da vacina que, atual-  cessário para ter impacto a esse nível.
                                                 mente, se realiza aos 10 anos. Também se   Há  também  uma  evidência  progressiva  de
                                                 verificou  que,  em  jovens  adolescentes  há   que os rapazes devem ser vacinados. Incluir
                                                 uma forte resposta imune à vacina, a qual  ou não a vacina no PNV é uma questão em
                                                 permite obter, com duas doses, uma prote-  aberto  porque  implica  duplicar  os  custos.
                                                 ção semelhante à das três doses inicialmen-  Esta é uma decisão que deve ser ponderada
                                                 te preconizadas.                        em termos globais de saúde pública, em que
                                                 Em Portugal, e de acordo com dados da Di-  a avaliação custo/benefício tem de ser muito
                                                 reção-Geral da Saúde (DGS), a cobertura da  bem  equacionada.  Ainda  existem  dúvidas
                                                 vacinação contra o HPV é de 85%. Trata-se   de que esse investimento tenha contraparti-
              fernanda águas                     de uma das taxas de adesão mais elevadas  das significativas nestes termos, se tivermos
              diretora dos Serviços de Ginecologia (a e b)  de entre os países que adotaram esta vaci-  em consideração que, no nosso país, a taxa
              do Centro Hospitalar e universitário    na para os respetivos PNV. Porém, fora do   de cobertura da vacinação nas raparigas é
              de Coimbra                         âmbito  do  PNV,  isto  é,  para  as  mulheres  muito elevada. Será diferente se considerar-
              presidente da Sociedade portuguesa  nascidas antes de 1992, a utilização da va-  mos a vacinação oportunista, sobretudo nos
              de Ginecologia                     cina é inferior ao que seria desejável.  casos de rapazes que têm relações sexuais
                                                 O objetivo de uma vacinação massiva é a eli-  com outros rapazes em que o benefício po-
                                                 minação da estirpes do vírus incluídas, isto   tencial será considerável, nestas situações a
                                                 porque o HPV apenas infecta seres humanos  vacinação pode ser recomendada.
         O cancro do colo do útero é o segundo can-  e o resultado será a erradicação dos cancros   Em Portugal, a vacinação contra o HPV no
         cro  ginecológico  mais  frequente  em  Portu-  com eles relacionados, de entre os quais se  âmbito do PNV teve início com a vacina qua-
         gal  e  representa  cerca  de  10%  de  todos  os   destaca o cancro do colo do útero e também  drivalente, sendo esta recentemente substi-
         cancros que atingem a mulher portuguesa.   os cancros da orofaringe e os cancros anal,  tuída  pela  vacina  nonavalente,  que  alarga
         A  sua  incidência  é  de  10,8  casos  por  cada  vaginal, vulvar e do pénis.   o potencial de prevenção de cancro do colo
         100.000 mulheres/ano e a mortalidade é de   Nalguns países, como por exemplo na Aus-  do útero de 70 para 90%, e aumenta igual-
         4,9 casos por cada 100.000 mulheres/ano, o   trália, já se conhecem elementos de avalia-  mente os benefícios adicionais conseguidos
         que significa que são diagnosticados 720 no-  ção  do  impacto  da  vacinação  e  são  muito  na prevenção de outros cancros e de outras
         vos casos de cancro do colo do útero todos   positivos:  a  incidência  de  novos  casos  de  infeções originados por HPV.
         anos e que, anualmente, perdem a vida 390
         mulheres devido a esta doença.
         O grupo dos Papiloma Vírus Humanos (em
         inglês  Human Papillomavirus  -  HPV)  inclui
         mais de 200 tipos de vírus, 40 dos quais po-
         dem  ser  transmitidos  por  contacto  sexual.
         As  estirpes  consideradas  de  alto  risco  têm
         o potencial para originar cancro e de entre
         estas os subtipos 16 e 18 foram identificados
         como os responsáveis por 70% dos casos de
         cancro do colo do útero.
         Neste  contexto,  a  vacinação  contra  a  infe-
         ção por HPV reveste-se de uma importância
         crucial para prevenção primária do cancro
         do colo do útero e pode reduzir significati-
         vamente  a  incidência  desta  grave  doença,
         com enormes benefícios para as mulheres e
         ganhos em termos de saúde pública.


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