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18 anos). Um estudo português, da Uni- pudessem estar a trabalhar, eventual-
versidade de Coimbra, de 2008, aponta mente integrados. A médio prazo, estes
para gastos por parte de pais portugue- médicos, integrados em países que os
ses de classe média, na ordem dos 236 acolhem com melhores condições estru-
a 678 euros por mês com cada filho (até turais e económicas, poderão criar laços
aos 25 anos) – custo médio de 137.100 € e família e não regressar. Perde o país um
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por cada jovem de 25 anos (2008). Es- grupo de jovens enérgicos, dinâmicos,
tima-se que a formação de um médico passíveis de ainda criar família e de re-
custe até 400.000 € (incluindo os anos novar gerações. Sentimentos do passado
de internato da especialidade: uma vez de que os emigrantes sempre regressam,
que aqui o médico, apesar de tutelado, já injetando no país parte das suas econo-
está a trabalhar. O valor real será diverso, mias, ajudando a sua recuperação, não
necessitando, para se ser exato, da pro- se aplicam com a mesma intensidade, já
dutividade total do médico em formação, que não tem sido essa a escolha dos que
variável com o indivíduo, com o forma- têm partido. 8
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dor, com a especialidade).
Assim, considerando apenas o custo INSATISFAÇÃO MÉDICA E EMIGRAÇÃO:
económico direto (e assumindo que os CONCLUSÃO
custos não se alteraram desde 2008 – os A saída do país de 869 médicos, consi-
custos poderão não ter aumentado sig- derando apenas os anos de 2014 e 2015
nificativamente desde o primeiro ano (até 22 de junho de 2016 tinham emigra-
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da atual crise, mas terão diminuído as do mais 184 ), corresponde a uma perda
receitas das famílias – segundo o INE, de cerca de 466.739.900 € investidos de
a taxa de poupança das famílias foi ne- acordo com a estimativa referida acima
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gativa no primeiro trimestre de 2016 ), a (média superior a 233 milhões de euros
saída de um médico especialista do país por ano). Estamos a referi-nos a cida-
corresponderá a uma perda estimada de dãos produtivos, em idade de constituir
537.100 € (não entrando em linha de con- família, e – muitos – sem interesse em
ta com a evolução de preços e de receitas regressar (e, por isso de investir as suas essa carência relativa lhes traz poupanças
desde 2008 e excluindo a produtividade poupanças no país). Tal, só nos deve fazer passíveis de serem aplicadas nas melho-
do médico durante o período de interna- repensar se compensa ou não melhorar res condições oferecidas. Afinal, a satisfa-
to na especialidade). as condições de trabalho e a remunera- ção do médico com a profissão melhora a
ção destes médicos, se compensa ou não qualidade dos cuidados prestados e, con-
EMIGRAÇÃO: reduzir o número de vagas no curso de sequentemente, a saúde dos doentes alvo
CONSEQUÊNCIAS medicina e em que medida esta compen- desses cuidados: uma bola de neve que
ECONÓMICAS INDIRETAS sação deve ser feita. Os países que rece- funciona negativamente onde estes se
Custos indiretos, não menos importan- bem gratuitamente os mais de 500.000 € sentem compelidos a sair, positivamente
tes, poderão decorrer do sentimento de correspondentes a cada médico chegado onde se sentem compelidos a ficar.
perda (por parte do próprio, de familiares já concluíram que é preferível não formar Ficam essencialmente os números, es-
e amigos), de alterações no funciona- médicos em excesso, já que estes os pro- quecendo potenciais tragédias pessoais
mento de serviços onde os médicos já curam já formados e especializados, e que e familiares.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
(ENDNOTES)
1. Martins MJ, Laíns I, Brochado B, Oliveira-Santos M, Teixeira PP, Brandão M, Cerqueira RJ et al, Satisfação com a Especialidade entre os Internos da Formação Específica em Portugal,
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9. SIC Notícias, Desde o início do ano já emigraram 184 médicos à procura de melhores salários, 2016-06-22, [disponível em http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2016-06-22-Desde-o-inicio-
-do-ano-ja-emigraram-184-medicos-a-procura-de-melhores-salarios, visitado em 2016-10-11]
REVISTA PORTUGUESA DE GESTÃO & SAÚDE • N.º 21 19

