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Medicine) e Vohr no livro “Safe patients,   Outra das recomendações é criar e gerar   dos.  Contudo,  aparentemente  eventos
            Smart Hospitals” (2011), apresentaram   sistemas de alerta quando o sistema re-  simples estão muito mais suscetíveis de
            uma série de exemplos práticos de como   conhece um perigo, como quando por   convergir em muitos fatores que contri-
            os profissionais de saúde (juniores e se-  exemplo  se  administram  erradamente   buem para que estas ocorram.
            niores), lidam diariamente e resolvem os   as doses de medicação. Para que haja   Em suma, conclui-se que a segurança é
            problemas de segurança. Mais recente-  um maior comprometimento das orga-  um princípio fundamental nos cuidados
            mente Sastry e Penn no seu livro “Fail   nizações com a segurança, os acidentes   de saúde que são prestados aos pacientes.
            Better” (2014), apresentam modelos e   graves (a morte de um doente) devem ser   A sua prática exige um complexo sistema
            soluções a por em prática no combate ao   sempre investigados no sentido de averi-  de sinergias, envolvendo um conjunto de
            erro e à segurança do paciente.   guar as suas causas. A avaliação poderá   ações exigentes e de melhoria contínua
            Hoje em dia, as iniciativas em torno da   ser feita por uma entidade externa que   em diversas áreas, isto é, medicação, diag-
            segurança do doente consistem mais em   possa conduzir a uma investigação inde-  nostico e tratamento, sistemas e equipa-
            iniciativas organizacionais e numa abor-  pendente do processo.     mentos e informação e comunicação en-
            dagem de sistemas devidamente enqua-                                tre os profissionais de saúde.
            dradas numa cultura local de segurança,                             Para isso será necessário perceber que
            do que em esforços centrados em agen-                               tipos de erros são mais frequentes e as
            tes diretos de prestação. Para além disso,                          suas causas, com o propósito de explorar
            o papel das equipas e das organizações,                             mecanismos de prevenção, de deteção, de
                                                Estudos demonstram
            na produção de melhores níveis de segu-                             resposta e de recuperação do erro. O estu-
            rança é hoje fundamental.           que quanto maior for            do dos processos de gestão permitirá as-
            Mas como melhorar a segurança do    a eficácia do sistema           sim saber o momento da sua ocorrência.
            paciente na prática? Muitos estudos                                 Nesse sentido, à semelhança das orga-
                                                de notificação, ou
            demonstram e defendem que quanto                                    nizações de alta fiabilidade, as medidas
            maior for a eficácia do sistema de notifi-  seja, quanto mais       reativas que respondem a um qualquer
            cação, ou seja, quanto mais situações se   situações se relatarem   acidente reportado ou detetado devem
            relatarem e se analisarem, maior é a pro-                           ser utilizadas como modo de aprendi-
                                                e se analisarem, maior
            babilidade de existir uma maior seguran-                            zagem e não usadas como um pretexto
            ça do paciente evitando assim as falhas   é a probabilidade         para punir um qualquer responsável ou
            (National Patient Safety Agency, 2004).  de existir uma             tomador momentâneo da culpa.
            Existem muitas formas pelas quais re-                               As medidas de aprendizagem deverão re-
                                                maior segurança do
            portar os erros podem levar a uma apren-                            desenhar os processos, de forma a torná-
            dizagem e melhoria da segurança do pa-  paciente                    -los mais seguros e consistentes aos erros
            ciente.  A  primeira  proposta  é  aprender                         dos profissionais de saúde, que sendo co-
            com a experiência, isto é, um sistema de                            laboradores de primeira linha e humanos
            notificação  de  erros  deve  produzir  algo   Para além disso poderão ser também   terão sempre a tendência de errar.
            visível e respostas úteis para justificar os   usados resultados de investigações pas-  Finalmente apresentam-se algumas re-
            recursos despendidos e estimular a pró-  sadas e de análise de dados para formu-  comendações para melhorar a gestão no
            pria  notificação.  A  função  mais  impor-  lar e divulgar recomendações de altera-  que diz respeito à redução de erros na
            tante será usar os resultados da análise   ções dos processos. A Joint Commission   prestação de cuidados de saúde: (i) me-
            de dados para depois formular e dissemi-  on Accreditation of Healthcare (2000),   lhoria do fluxo de trabalho, ou seja tare-
            nar recomendações para executar altera-  já usa esta função com um número re-  fas programadas e orientadas; (ii) melhor
            ções no sistema. Tudo isto poderá gerar   duzido  de  notificação  de  incidentes.  O   adaptação da gestão dos recursos huma-
            recomendações de boas práticas para os   objetivo é produzir recomendações de   nos; (iii) existência de uma cultura de de-
            colaboradores seguirem.           segurança dos próprios dados recolhi-  teção e correção de erros e falhas.





            REFERÊNCIAS
            Berwick, D; McCannon C. and Hackbarth A., (2006), The 10000 lives campaing – setting a goal and a dealine for improving health care Quality, JAMA, 7, pp. 295-324.
            Direção-Geral da Saúde (2011), Estrutura Conceptual da Classificação Internacional sobre a Segurança do Doente, Lisboa.
            Fragata, J. (2011), Segurança dos Doentes: Uma Abordagem Prática, Lousã, Lidel.
            Gawande, A. (2011), The Checklist Manifesto, How to Get Things Right, Profile Books, England.
            Institute of Medicine (2000), To Err is Human, Report 2000, Washington Press.
            Joint Commission on Accreditation of Healthcare Organizations (2000), Results of JCAHO, sentinel events reporting.
            National Patient Safety Agency: Seven Steps to Patient Safety – a Guide for NHS Staff, (2004), London.
            Pronovost, P. and Vohr, E. (2011), Safe Patients, Smart Hospitals, Plume, England.
            Sastry, A. and Penn, K. (2014), Fail Better, Design Smart Mistakes and Succeed Sooner, Harvard Review Press, United States of America.
            World Health Organization, (2002), Quality of Care: Patient Safety, Fifty-Fifth World Health Assembly Provisional agenda item, 13.9, March.


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