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exemplos claros que contribuíram para   jetivo de conter a despesa pública, sem   gatória, salvo raras exceções, o que hoje
          o sucessivo aumento da despesa em far-  pôr em risco a sustentabilidade do siste-  em dia já se tornou uma realidade. Esta
          mácia (Barros, 2013; Campos, 2008). Para   ma ou o acesso dos cidadãos ao medica-  foi uma medida transversal, que permi-
          além da prevenção da doença, promoção   mento, foram aplicadas diversas medi-  tiu a  realização das  anteriores com  um
          da saúde e reforço da literacia da popu-  das, entre 2011 e 2015, entre as quais se   maior sucesso;
          lação, pouco mais se poderia fazer para   destacam:                •  A  desmaterialização  da  receita  médica
          reduzir os consumos e os custos com  • O estabelecimento de um acordo com a   (receita sem papel), no alinhamento da
          medicamentos  (Lamata,  Gálvez,  Barros,   IF, com o objetivo de reduzir os encargos   medida anterior, voltando a gerar uma ar-
          & Caro, 2015). Desta forma, a política de   do SNS, limitando a despesa do Estado.   ticulação das tecnologias de informação e
          saúde enveredou numa outra perspetiva:   Em 2015, por exemplo, foi fixado o valor   comunicação, com a sustentabilidade no
          a  da  sustentabilidade  e  diminuição  de   máximo de 2.000 M€;   setor da saúde. Desta forma, num proces-
          custos, através de medidas que envol-  • Evitar o desperdício, garantindo uma   so sem papel impresso, o utente pode le-
          vem a redução de desperdícios e a me-  gestão eficiente no consumo do medica-  vantar a sua receita com um SMS alusivo
          lhoria da regulação do mercado do me-  mento, com um controlo na prescrição e   ao número do pedido e com a apresenta-
          dicamento (Ministério da Saúde, 2015).  na dispensa;               ção do cartão do cidadão;
                                                                             • O aumento da quota de genéricos, em
          3. MEDIDAS DE SUSTENTABILIDADE                                     número e valor, com o objetivo de pro-
          IMPLEMENTADAS NO SETOR DO                                          mover medicamentos com menos cus-
          MEDICAMENTO                                                        tos, mas com os mesmos efeitos;
          As medidas políticas de promoção da                                •  A  transposição  de  diretivas  comuni-
                                              Em Portugal,
          sustentabilidade,  de  forma  transversal                          tárias que eliminavam as barreiras à
          aos vários governos, tiveram sempre por   apesar da inovação       entrada  de  novos  genéricos,  por  vezes
          base a máxima de garantir acesso aos   terapêutica e do            bloqueados juridicamente. A título de
          medicamentos a todos os cidadãos, não                              exemplo, em 2011, eram 800 os medi-
                                              aumento do consumo
          privando qualquer utente desse direi-                              camentos  que  tinham  suspensa  a  au-
          to  (Campos,  2008;  Ministério  da  Saúde,   de medicamentos,     torização para introdução no mercado
          2015).                              foi conseguido um              nacional;
          A política do medicamento teve a in-                               • A determinação do preço do primeiro
                                              controlo e uma
          fluência do Memorando de Entendimen-                               genérico em 50% do preço do medica-
          to (assinado entre o Governo de Portu-  redução de custos          mento de referência;
          gal e o Fundo Monetário Internacional,   para o SNS. Para          • A prescrição pela Denominação Co-
          o Banco Central Europeu e a Comissão                               mum Internacional da substancia ativa
                                              tal contribuíram os
          Europeia) sobre as condicionalidades da                            (DCI) e não pela marca. Para além desta
          política económica, que preconizava as   compromissos de           denominação, as receitas medicas con-
          seguintes medidas estruturais:      sustentabilidade               tam também com a dosagem, apresenta-
          3.54 - Rever a fixação de preço do primei-                         ção, forma farmacêutica e posologia;
          ro genérico introduzido no mercado;  assinados com                 • Revisão dos preços dos medicamentos,
          3.56  -  Tornar  obrigatória  a  prescrição   a IF e uma nova      em função de países de referência (Espa-
          eletrónica de medicamentos e meios de   visão da política do       nha, Eslováquia e França);
          diagnóstico;                                                       • Promoção de incentivos às farmácias
          3.57 - Estabelecer um sistema de moni-  medicamento                para dispensa de medicamentos genéri-
          torização da prescrição e diagnóstico de                           cos, através do pagamento de uma recom-
          cada médico, com informação regular                                pensa de acordo com a poupança gerada
          sobre o processo;                • O combate à fraude no medicamento,   para o Estado e para os doentes (Portaria
          3.58 - Introduzir medidas de incentivos   através da criação de um grupo de traba-  n.º 18-A/2015, de 2 de fevereiro);
          aos médicos que prescrevam genéricos e   lho de luta contra a fraude, que em arti-  • Garantia de equidade no acesso às te-
          medicamentos de marca menos dispen-  culação com os Ministérios da Saúde e da   rapêuticas efetivas da Hepatite C (Despa-
          diosos  (regulamentação  ou  orientações   Justiça, identifica e analisa casos suspei-  cho n.º 1824-B/2015, de 18 de fevereiro);
          para os médicos);                tos em todas as fases do processo, desde  • Criação e implementação do novo Sis-
          3.64 - Estabelecer o enquadramento le-  a prescrição à dispensa;   tema Nacional de Avaliação de Tecnolo-
          gislativo e administrativo para um sis-  • A implementação da prescrição eletró-  gias de Saúde (SiNATS);
          tema centralizado de aprovisionamento   nica, aliando as tecnologias de informa-  • Publicação de diversas normas de
                                                                                                1
          para a compra de produtos médicos no   ção e comunicação ao propósito de um   orientação clínica (NOC) , tendo algumas
          âmbito do SNS (Portugal, 2011, p.14).  maior controlo do mercado. O objetivo   delas sido integradas na Prescrição Ele-
          No seguimento desta linha e com o ob-  foi tornar a prescrição eletrónica obri-  trónica Médica.



                                                                REVISTA PORTUGUESA DE GESTÃO & SAÚDE • N.º 21  9
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