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2000). Para além disso, o documento do   Apesar de alguns eventos que compro-  por exemplo, desenvolveu um docu-
          IOM focou que tal acontecia, não por   metem a segurança do paciente não po-  mento estratégico “seven steps of patient
          responsabilidade  direta  dos  profissio-  derem ser eliminados na sua totalidade,   safety”,  onde  são  definidos  sete  passos
          nais de saúde, mas sim pelo contexto   os seus danos podem tentar ser redu-  que as organizações de sistemas de saú-
          sistemático-organizacional em que estes   zidos,  sendo  o  objetivo  final  conseguir   de deveriam adotar, no sentido de me-
          trabalham. Assume-se assim que este é   zero dano para o paciente.  lhorar a segurança do doente. Cada um
          um problema de gestão e que, como tal,   A reação mais comum quando a segu-  destes passos, fornece uma checklist que
          parte da solução tem que ser procurada   rança do paciente fica comprometida ou   ajuda a planear as atividades e a medir
          na melhoria da mesma.            quando uma falha ocorre é, em primei-  o desempenho e a efetividade das ações
          No início deste século foram também   ro lugar, culpar alguém. Falha  e culpa   adotadas para promover a segurança dos
          criadas várias agências de segurança do   andam  virtualmente  inseparáveis  em   doentes, constando o seu conteúdo das
          paciente (Reino Unido, Canadá, Austrá-  grande parte das organizações. Na saú-  seguintes fases:
          lia, Dinamarca) e estabelecida em 2004,   de não é exceção. Todos aprendemos em   1 – Estabelecer um ambiente de segu-
          sob a égide da Organização Mundial   crianças que admitir uma falha significa   rança através da criação de uma cultura
          de Saúde, a  World Alliance for Patient   assumir a culpa de algo. Talvez seja por   aberta e justa;
          Safety. Esta aliança estabeleceu sete   essa linha de pensamento, que tão pou-  2 – Liderança forte e apoio das equipas
          programas independentes: soluções, in-  cas organizações assumem uma cultura   de  saúde em  torno da  segurança  dos
          vestigação,  notificação,  aprendizagem,   de segurança, onde a gratificação de se   doentes;
          taxonomia, doentes e estandardização,   aprender com a falha não consegue ser   3 – Integrar as atividades de gestão do
          bem como a higiene das mãos e a cirur-  totalmente realizada.      risco  desde  a  identificação  das  causas
          gia segura, que já salvaram muitas vidas   Diferentes colaboradores que tenho vin-  até à definição das ações corretivas e ou
          (Berwick et al., 2006).          do a entrevistar na área da saúde admi-  preventivas;
          Quando se fala em segurança do pa-  tem que, muitas das vezes, não sabem   4 – Promover a notificação dos eventos
          ciente ficamos com a ideia de estarmos   como responder construtivamente ao   adversos ou  near misses, assegurando
          perante um conceito bem delimitado e   fracasso. Quando  se pergunta direta-  que  os  profissionais  de  saúde  podem
          fácil de analisar. No entanto, a realidade   mente a médicos e enfermeiros porque   facilmente, e sem receios persecutórios,
          apresenta algumas particularidades que   pode o paciente ficar sujeito a situações   reportar os incidentes;
          tornam difícil a sua abordagem devido,   de insegurança, as razões apresentadas   5 – Envolver e comunicar com os doen-
          essencialmente, à complexidade das or-  são diversas. Por outro lado, os profissio-  tes e com a sociedade em geral. Desen-
          ganizações de saúde. O que obviamente   nais de saúde admitem também o facto   volver formas para comunicar e auscul-
          cria dificuldades para a atuação da ges-  de  que se  os colaboradores não forem   tar os doentes acerca da problemática
          tão, e  para melhorar a gestão  torna-se   responsabilizados, o que poderá assegu-  dos eventos adversos;
          necessário saber com precisão que con-  rar que irão tentar fazer o seu melhor no   6 – Aprender e partilhar experiências.
          ceitos são relevantes.           trabalho que estão a realizar?    Encorajar  os  profissionais  de  saúde  a
          A National Patient Safety Foundation   Treino  e  formação,  melhoria  do  flu-  analisar a raiz dos problemas e as cau-
          (2004)  começou  por  definir  segurança   xo de trabalho e uma adequada gestão   sas que estão subjacentes, no sentido
          do paciente como a forma de evitar, pre-  de  recursos  humanos,  são  alguns  dos   de aprender como e porquê o incidente
          venir e melhorar os eventos adversos ou   principais vetores citados que levam os   ocorreu. A difusão da informação acer-
          prejuízos que surgem nos processos de   profissionais  a  conseguir  executar  os   ca das causas dos incidentes é funda-
          tratamento dos pacientes. A segurança   processos  de  gestão  e  tratamento  do   mental para diminuir ou evitar episó-
          não reside numa só pessoa, num plano   paciente com consistência. Quando isso   dios recorrentes;
          ou num departamento, ela emerge das   não acontece, a falta de atenção, os des-  7 – Implementar soluções, para prevenir
          interações dos componentes de um de-  vios, os problemas de comunicação, a   a  ocorrência  de  situações  que  possam
          terminado sistema. Para a Direção-Geral   falta de confirmação de procedimentos,   provocar danos nos doentes, através de
          da Saúde (DGS) em Portugal (2011), a   o processamento e a má interpretação   mudanças nas práticas, nos processos e
          segurança do paciente é conotada com   da informação são usualmente as causas   na estrutura da organização, sempre que
          a redução do risco de danos desneces-  mais mencionadas, quando os processos   tal se verifique necessário.
          sários relacionados com os cuidados de   não correm como o desejado.   Atul Gawande, um cirurgião de Har-
          saúde, para um mínimo aceitável. Este   Sabemos que em grande parte das situa-  vard, defendeu com o seu  best-seller
          mínimo aceitável refere-se à noção cole-  ções as causas podem ser identificadas e   “The Checklist Manifesto” (2011), que as
          tiva em face do conhecimento atual, re-  as soluções desenvolvidas. Porém, exis-  checklists  seriam  também  uma  boa  so-
          cursos disponíveis e contexto em que os   tem organizações e profissionais que to-  lução para ajudar a melhorar a seguran-
          cuidados foram prestados, por oposição   mam iniciativas para encontrar soluções   ça do paciente e muitos dos problemas
          ao risco do não tratamento ou de outro   em relação à segurança do paciente.  em saúde. Também Pronovost (médico
          tratamento alternativo.          A National Patient Safety Agency (2004),   no Johns Hopkins University School of



                                                                REVISTA PORTUGUESA DE GESTÃO & SAÚDE • N.º 21  13
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